Apesar do ganho mensal, a produção de julho ainda ficou abaixo da cota da Rússia no âmbito do grupo de produtores de petróleo, o OPEP+ (em junho, o país ficou 834 mil bpd abaixo de sua meta) . A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) revisou sua previsão para 2026 para baixo, projetando uma média de ~8,9 milhões de bpd, citando o impacto cumulativo dos ataques ucranianos .
Dezoito refinarias russas foram alvejadas somente em julho, incluindo a maior do país, a refinaria de Omsk, reduzindo o processamento de petróleo russo ao nível mais baixo em mais de 24 anos .
Novos ataques com drones de longo alcance continuaram no início de agosto:
Estes ataques forçam um volume maior de petróleo bruto que seria processado internamente a ser direcionado para o mercado de exportação, mas a infraestrutura de exportação não consegue absorver esse excedente com facilidade .
Interrupções nos portos do Mar Negro: O maior terminal de petróleo da Rússia no Mar Negro, Sheskharis em Novorossiysk (que movimenta cerca de 650 mil bpd, ou aproximadamente um quinto das exportações marítimas de petróleo bruto), suspendeu os carregamentos a partir de 21 de julho devido a uma onda de ameaças de drones ucranianos, incluindo drones marítimos . As operações foram retomadas dias depois, mas o episódio serviu como um alerta severo .
O carregamento de petróleo bruto em navios de granéis sujos no Mar Negro e no Mar de Azov despencou 62% nas duas últimas semanas de julho, com uma média de apenas 0,98 milhão de bpd, ante 2,59 milhões de bpd no início do mês, de acordo com dados da BIMCO .
As taxas de frete para o petróleo Urals com destino à Índia saltaram cerca de 50% desde meados de julho, à medida que armadores evitam os portos russos do Mar Negro devido aos riscos de segurança . O grupo de navegação russo FESCO suspendeu novos embarques via Mar Negro .
O Banco da Rússia observou que a capacidade de redirecionar o petróleo bruto liberado das refinarias danificadas para a exportação é limitada pela capacidade da infraestrutura de transporte e portuária .
As exportações pelos portos do Báltico devem aumentar 4% em agosto, à medida que os vendedores tentam desviar mais petróleo bruto para a Ásia, mas a disponibilidade de navios-tanque está se tornando mais restrita em todas as rotas .
Um gargalo paradoxal está se formando: os ataques de drones a refinarias geram mais petróleo bruto disponível para exportação, mas as ameaças à segurança no Mar Negro afugentam os navios-tanque, elevam os custos de frete e derrubam os carregamentos para uma mínima de sete semanas. As exportações de petróleo bruto caíram para 3,9 milhões de bpd nas quatro semanas até 2 de agosto .
Fontes do setor preveem que a produção volte a cair em agosto, à medida que as novas paralisações em refinarias se somam às restrições logísticas já existentes para a exportação, com a capacidade de navios-tanque no Mar Negro atuando como o gargalo mais crítico . A recuperação da produção acima de 9 milhões de bpd parece frágil, e a interação entre a guerra de drones, os danos às refinarias e a segurança marítima deverá manter a produção de petróleo russa sob pressão no curto prazo.