Fundos alavancados aumentaram suas posições vendidas em ienes para mais de 115.000 contratos até junho de 2026, o maior nível em nove anos, apostando que o iene continuaria caindo . O iene rompeu a barreira de 162 por dólar em 30 de junho de 2026 — um patamar não visto desde dezembro de 1986 — e atingiu 163+ em julho .
De forma crucial, analistas da coinunited.io argumentaram que um choque de crescimento nos EUA — e não apenas os aumentos do BOJ — seria o catalisador principal para quebrar o carry trade, já que uma queda brusca nos rendimentos americanos reduziria o diferencial de juros e forçaria uma desmontagem violenta .
Os esforços iniciais do Japão para defender o iene mostraram-se insuficientes. Em junho de 2026, o Japão gastou cerca de US$ 73 bilhões em intervenção de compra de ienes e o BOJ elevou as taxas, mas o iene permaneceu perto de 160 contra o dólar. A intervenção falhou porque o amplo diferencial de juros EUA-Japão, o forte posicionamento do carry trade e a postura reflacionária da primeira-ministra Sanae Takaichi continuaram a pressionar a moeda .
O ponto de inflexão ocorreu em 1º de agosto de 2026, quando o Tesouro dos EUA comprou ienes — o Federal Reserve Bank de Nova York vendeu euros por ienes em nome de Washington — marcando a primeira intervenção de compra de ienes dos EUA com Tóquio em mais de uma década . O presidente Trump confirmou o envolvimento do Tesouro . A ação conjunta foi a primeira desde 2011 (e para compra de ienes, desde 1998) .
O impacto no mercado foi imediato: o iene disparou de acima de 163 para negociar em torno de 156,5 por dólar, fortalecendo-se mais de 4% . O Ministério das Finanças do Japão disse que "não hesitaria" em realizar mais intervenções conjuntas . O ex-funcionário do BOJ, Atsushi Takeuchi, afirmou que o Japão e os EUA "certamente" interviriam novamente se o iene retomasse sua trajetória de queda, observando que o Japão agora tem "poucas restrições" para intervir com o apoio dos EUA .
Apesar do movimento dramático da moeda, os carry trades de mercados emergentes mostraram uma resiliência surpreendente. O Índice de Prêmio de Risco de Carry de FX de Mercados Emergentes da Bloomberg caiu apenas cerca de 1% desde a ação conjunta, aproximadamente o mesmo que um índice de referência semelhante para as principais moedas . Isso está muito longe dos 4% que a medida de carry de EM caiu em agosto de 2024, quando uma forte alta do iene agitou os mercados globais . Um relatório da Bloomberg observa que os carry trades de EM "estão mostrando resiliência" mesmo após o prejuízo à estratégia financiada pelo iene .
No entanto, o impacto não foi uniforme. Os Investidores de Portfólio Estrangeiros (FPIs) retiraram capital significativo dos mercados indianos à medida que o carry trade se desfazia, com os FPIs retirando aproximadamente ₹1,92 lakh crore (cerca de US$ 230 bilhões) das ações indianas no início de maio de 2026, superando toda a saída do ano fiscal de 2025 em apenas quatro meses .
A desmontagem também levantou riscos de refinanciamento para países como Brasil e Turquia, e para empresas com dívidas denominadas em ienes . O peso mexicano enfraqueceu 1,2% em relação ao dólar quando o BOJ elevou a taxa para 0,75% em dezembro de 2025, sinalizando estresse imediato nos mercados emergentes . A rupia indonésia e o baht tailandês — ambos fortemente expostos a financiamentos baseados em ienes — também enfrentaram pressão .
Em um nível estrutural, a RCK Analytics descreve a desmontagem como "não um ajuste tático, mas uma reavaliação estrutural da liquidez, alavancagem e do custo global de capital", com implicações diretas para os mercados de títulos e fluxos de capital transfronteiriços .
A opinião sobre o carry trade divergiu fortemente entre os principais analistas em 2026: