O ponto mais polêmico da consulta é a introdução de um regime de "equivalência" para stablecoins. A ideia é permitir que emissores de fora da UE — como a Tether, emissora do USDT — operem no mercado europeu sob suas próprias regras locais, desde que consideradas equivalentes às do bloco, sem precisar emitir um token separado e licenciado na Europa .
A União Europeia não está olhando apenas para dentro de suas fronteiras. A aprovação do GENIUS Act (S. 1582) nos Estados Unidos — aprovado no Senado (68–30) em 17 de junho de 2025, na Câmara (308–122) em 17 de julho de 2025 e sancionado pelo presidente Trump em 18 de julho de 2025 como Lei Pública nº 119-27 — criou o primeiro marco federal americano para stablecoins de pagamento.
A dinâmica é clara: enquanto os EUA criam um ambiente mais favorável à inovação com stablecoins, a Europa busca um equilíbrio entre proteção ao consumidor e competitividade global.
Em um movimento que reforça a adoção institucional do MiCA, a Bridge, empresa de infraestrutura de stablecoins controlada pelo Stripe, foi adicionada ao registro intermediário da ESMA em 7 de agosto de 2026 .
A Bridge, ao obter a licença, marca a entrada do maior player de infraestrutura de pagamentos no framework MiCA até agora.
A revisão do MiCA representa um momento decisivo para o mercado de criptomoedas na Europa. A introdução de um regime de equivalência pode redefinir o panorama competitivo, potencialmente permitindo o retorno de gigantes como a Tether. A pressão do GENIUS Act dos EUA força a UE a agir rapidamente para não perder relevância global. Enquanto isso, a entrada da Bridge (Stripe) mostra que o MiCA está se consolidando como a estrutura regulatória de fato para stablecoins no bloco.