Uma semana depois, o iene já havia devolvido cerca de um terço desses ganhos . Mesmo um relatório de empregos dos EUA chocantemente fraco em 7 de agosto — payroll de −23 mil ante consenso de +80 mil — empurrou o par apenas temporariamente para ~156,80, antes de ele voltar a subir em direção aos 158 .
Eis por que a intervenção e o payroll fraco falharam, e as quatro forças estruturais que mantêm o USD/JPY resiliente acima de 158.
A taxa do Fed está na faixa de 3,50–3,75% (ponto médio de 3,625%), enquanto a taxa do Banco do Japão (BoJ) permanece em torno de 1,0% . Essa diferença de ~262 pontos-base faz do iene a moeda de financiamento por excelência para operações de carry trade.
"A lógica é simples: juros mais altos nos EUA sustentam os rendimentos dos títulos do Tesouro, o que atrai capital e eleva o USD/JPY", resumiu um analista . A "normalização gradual" do BoJ ainda deixa as taxas reais profundamente negativas no Japão, mantendo o iene estruturalmente fraco .
A situação fiscal do Japão tem sido um peso crescente sobre o iene. Analistas citam explicitamente a "deterioração fiscal japonesa" como um fator-chave que sustenta o USD/JPY . A relação dívida/PIB do país continua sendo a maior entre as economias desenvolvidas, e o custo de serviço dessa dívida aumenta conforme as taxas de juros se normalizam.
Essa preocupação fiscal não é abstrata. O iene se enfraqueceu contra o dólar no início de agosto de 2026, mesmo com os alertas de intervenção ainda frescos, justamente por causa de dados domésticos fracos que evidenciaram o espaço fiscal limitado do governo .
Pouco antes da divulgação do payroll americano, o Japão reportou dados fracos de gastos das famílias, o que levou o iene a uma mínima semanal contra o dólar, mesmo com os alertas de intervenção ainda em vigor . Os gastos das famílias japonesas caíram 3,3% em junho, contra expectativa de crescimento de 1,0% .
O próprio Relatório de Perspectivas do BoJ de abril de 2026 alertou que o crescimento econômico "provavelmente desacelerará no ano fiscal de 2026" devido ao aumento dos preços do petróleo bruto, que pressiona os lucros corporativos e a renda real das famílias por meio da deterioração dos termos de troca . Os custos de importação de energia permanecem elevados por causa das tensões no Oriente Médio e dos riscos no Estreito de Ormuz, piorando os termos de troca do Japão e pesando sobre a moeda .
Participantes do mercado concordam amplamente que "intervenções cambiais isoladas são insuficientes para tratar os fatores fundamentais da fraqueza do iene" — ou seja, o diferencial de juros, os riscos fiscais e os altos custos de energia e importação . Os US$ 87 bilhões gastos compraram apenas um alívio temporário, e o iene devolveu cerca de um terço dos ganhos da intervenção em poucos dias .
Analistas viram "pouca esperança de um rali sustentado", já que os fundamentos da moeda permanecem "fracos" . A intervenção forçou um forte short squeeze, mas, uma vez zeradas essas posições, os vendedores estruturais de iene — carry traders e investidores institucionais japoneses — retornaram .
O dado de −23 mil empregos derrubou o dólar brevemente e levantou dúvidas sobre as expectativas de alta de juros do Fed . Mas o movimento foi de curta duração por três razões:
O payroll fraco de 7 de agosto foi uma surpresa negativa clássica para o dólar, mas produziu apenas um pico temporário do iene para ~156,80 porque a estrutura mais ampla — um diferencial de juros de 262 pontos-base, a deterioração fiscal do Japão, o consumo fraco e a demanda por segurança no dólar devido a riscos geopolíticos — mantém o par ancorado acima de 158. A intervenção conjunta EUA-Japão foi historicamente significativa, mas operacionalmente insuficiente para reverter a tendência de baixa do iene, e os mercados estão agora precificando essa realidade de volta .