O Estreito de Ormuz, uma passagem estreita entre o Irã e Omã, normalmente transporta cerca de 20% do petróleo bruto do mundo e uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) . Desde que os EUA e Israel lançaram uma campanha militar contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, o Irã retaliou atacando embarcações que transitavam pelo Estreito usando drones, mísseis e barcos de ataque rápidos . Em alguns dias, apenas dois petroleiros passaram pelo Estreito . As principais empresas de transporte de contêineres, incluindo a Maersk, suspenderam completamente as operações na hidrovia .
Mesmo após múltiplos anúncios de cessar-fogo, o tráfego de navegação nunca se recuperou de verdade. Um acordo proposto para a passagem por Ormuz foi considerado 'inviável' por fontes do setor em 6 de agosto de 2026 . No final de junho de 2026, a média diária de travessias pelo Estreito caiu para menos de 7 embarcações, contra as centenas que normalmente usavam a rota . O Estreito permanece efetivamente fechado, sem um caminho claro para a reabertura.
Com o Estreito bloqueado, as empresas de navegação foram forçadas a usar rotas alternativas muito mais longas — principalmente ao redor do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, ou via Mar Vermelho. Isso aumentou dramaticamente a demanda por toneladas-milha (uma medida da distância que a carga viaja multiplicada pelo seu volume). Mesmo com a queda de 6% nos volumes reais de carga, a demanda por toneladas-milha caiu apenas 1%, indicando que a distância média das viagens aumentou substancialmente .
O redirecionamento não é de curto prazo. Analistas da Reuters e de outros veículos descreveram a crise como tendo 'reconfigurado os fluxos globais de petróleo, combustível e GNL' e alertaram para uma 'interrupção histórica no transporte de produtos energéticos em todas as regiões' . As rotas mais longas, o congestionamento em pontos alternativos de trânsito e o maior consumo de combustível tornaram-se incorporados à estrutura de custos do comércio global.
Os operadores de navegação permanecem profundamente relutantes em retomar o trânsito por Ormuz mesmo após cessar-foges políticos. As razões são práticas: termos de cessar-fogo pouco claros, prêmios de seguro proibitivos, sobretaxas de risco de guerra e a ameaça de minas navais no canal comercial padrão do Estreito . Nils Haupt, da Hapag-Lloyd, disse à Al Jazeera que 'quando a guerra terminar oficialmente... não significa que os desafios logísticos estejam resolvidos; é aí que o trabalho real começa' . Em junho de 2026, os operadores de navios estavam pedindo publicamente um quadro claro de regras antes de considerar o retorno . O CEO da Mitsui O.S.K. Lines afirmou que um mero acordo político não seria suficiente — as condições reais no Estreito precisavam ser genuinamente seguras .
O mercado de energia foi atingido com mais força do que qualquer outro setor. Os custos de transporte de superpetroleiros no Oriente Médio atingiram máximas históricas em poucos dias do início do conflito . A região que fornecia um quinto das exportações globais de petróleo bruto e GNL agora vê os importadores buscando ativamente suprimentos em outros lugares — uma mudança estrutural, e não um ajuste temporário .
O Irã apertou seu cerco atacando navios comerciais para forçá-los a passar por suas águas territoriais, em vez de uma rota protegida pelos EUA ao longo da costa de Omã. Pelo menos nove navios foram atacados apenas em julho de 2026, uma escalada que um CEO de risco marítimo chamou de 'pior cenário possível' para petroleiros . A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), apoiada pelo Irã, alertou todos os navios para usar apenas sua rota designada ao norte .
A interrupção se espalhou para commodities não energéticas. Os preços do alumínio subiram acentuadamente, e analistas alertaram para aumentos em cascata nos custos para indústrias dependentes de matérias-primas do Golfo, incluindo os setores automotivo, aeroespacial e de construção nos EUA e Europa . Fertilizantes, produtos farmacêuticos e outras cadeias de suprimento também estavam em risco .
Uma 'nova ordem sombria' está emergindo, de acordo com a Reuters, na qual o petróleo do Oriente Médio enfrenta uma evitação estrutural permanente pelos compradores . Isso está acelerando uma mudança para outras bacias de suprimento: o xisto americano, o petróleo da África Ocidental e o petróleo bruto sul-americano. Analistas dizem que a turbulência pode persistir até setembro de 2026 e além, com danos duradouros à confiança das cadeias de suprimento no Golfo .
A questão-chave — o que acontece quando e se o Estreito reabrir — tem uma resposta sóbria. Especialistas em várias fontes dizem que mesmo uma reabertura imediata não acabaria com a turbulência. As repercussões nas cadeias de suprimento globais 'persistiriam muito depois que as embarcações fossem autorizadas a passar' . A combinação de operações de remoção de minas, renegociação de termos de seguro e a necessidade de clareza regulatória significa que meses de interrupção estão incorporados ao sistema.
O consenso entre CEOs de navegação, analistas e especialistas em risco marítimo é claro: a crise de Ormuz aumentou permanentemente o prêmio de risco sobre qualquer comércio que se origine ou passe pelo Golfo. As rotas de navegação foram estruturalmente alongadas, as cadeias de suprimento de energia estão sendo diversificadas para longe do Oriente Médio em um ritmo acelerado, e os dias em que o Estreito de Ormuz era uma via comercial confiavelmente aberta não devem retornar tão cedo. O normal antigo se foi, e um sistema de comércio global mais caro, mais fragmentado e menos certo tomou seu lugar.