O Ministério das Finanças do Japão comprou ienes em coordenação com o Tesouro dos EUA em 31 de julho de 2026 (horário da costa leste dos EUA) . O iene vinha sofrendo pressão sustentada, caindo para aproximadamente 164 por dólar — um patamar não visto em cerca de 40 anos, desde o final de 1986 . A operação foi anunciada oficialmente em 3 de agosto de 2026 por Katayama e Bessent, tornando-se a primeira intervenção cambial coordenada entre EUA e Japão desde 2011 e a primeira operação coordenada de compra de ienes desde 1998 .
Ambos os governos sinalizaram um firme compromisso com novas ações, caso a pressão especulativa retorne.
A participação de Washington foi motivada por várias preocupações interligadas:
A intervenção foi substancial. O dólar caiu até 3%, para 158,34 ienes, em 30 de julho, dando ao iene sua maior alta diária desde 2022 . Em 3 de agosto, o iene se mantinha abaixo de 157 por dólar, bem acima das recentes mínimas de 164 . Analistas avaliaram que a operação estabeleceu um nível de suporte implícito próximo a 160 por dólar, enviando um sinal claro aos mercados de que as autoridades defenderiam essa linha.
Em 5 e 6 de agosto, o Bank of America revisou fortemente sua previsão para o USD/JPY no fim do ano, reduzindo-a para 149 por dólar, ante 152, projetando uma valorização do iene de cerca de 6% em relação aos níveis de 158. A revisão citou a intervenção coordenada e as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo BOJ em setembro como principais suportes . O banco observou que a participação dos EUA na operação removeu a "restrição final" sobre a capacidade de intervenção do Japão .
Ambos os governos reiteraram que as taxas de câmbio devem refletir os fundamentos, e não a negociação especulativa. O comunicado do Ministério das Finanças do Japão afirmou que a ação conjunta "combateu a volatilidade excessiva e os movimentos cambiais desordenados" . Katayama vinha alertando há semanas que Tóquio estava pronta para agir contra movimentos especulativos , e Bessent disse que a intervenção "pode enviar um sinal forte aos mercados" sobre os limites de tolerância .
Apesar da forte alta do iene, os investidores permaneceram cautelosos quanto à sustentabilidade dos ganhos. Analistas notaram que o impacto da intervenção pode desaparecer sem medidas de acompanhamento, e a direção do iene continua sensível aos sinais de política do BOJ e ao apetite por risco global . A ação coordenada também agravou um dilema existente para o BOJ, já que o suporte agressivo ao iene complica seu caminho de normalização da política monetária .
Esta intervenção marcou um ponto de virada histórico na cooperação cambial EUA-Japão: