Somadas, as maiores empresas globais de memória e armazenamento perderam mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado desde os picos de junho. Nvidia, SK Hynix, Samsung Electronics, Micron, AMD e TSMC tiveram perdas superiores a US$ 100 bilhões cada no período analisado.
A cautela dos analistas também pesou. Em julho de 2026, foram registrados 828 rebaixamentos de recomendações ou de preços-alvo, o dobro do número de revisões para cima. A maior parte dos cortes atingiu ações de tecnologia e semicondutores.
Entre os fatores apontados estavam a expectativa de preços mais fracos para chips de memória, estoques maiores em fabricantes de módulos, o aumento da oferta chinesa e a falta de detalhes sobre acordos de longo prazo. A Goldman Sachs manteve recomendação de compra para Samsung e SK Hynix após a correção, mas reconheceu a intensidade da queda: as ações haviam recuado cerca de 23% e 35%, respectivamente, no mês anterior.
A instituição também afirmou que a percepção negativa poderia ter ido longe demais. Goldman Sachs e JPMorgan destacaram que os múltiplos preço/lucro projetados para empresas coreanas de memória, em torno de 3,5 a 3,6 vezes, pareciam desconectados dos fundamentos — embora a volatilidade permanecesse elevada.
O mercado continua debatendo se os investimentos bilionários em data centers, servidores e chips de inteligência artificial gerarão retornos proporcionais. Essa dúvida tem atingido especialmente as empresas mais expostas ao ciclo de infraestrutura de IA.
Orientações consideradas fracas pela Broadcom no início de junho, a entrada do Nasdaq em território de correção no fim de julho e sucessivas quedas nas ações americanas de semicondutores reforçaram o receio de que as expectativas do setor estivessem altas demais.
As bolsas asiáticas têm reagido rapidamente aos movimentos das ações de tecnologia nos Estados Unidos. A queda do Nasdaq em 28 de julho e a liquidação de 17 de julho, que atingiu a Nvidia com força, foram transmitidas para os mercados de Japão, Coreia do Sul e Taiwan.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que uma sessão fraca em Wall Street costuma provocar vendas imediatas em fabricantes asiáticos de chips: os investidores reavaliam simultaneamente a demanda global, os preços das memórias e o valor das empresas ligadas à IA.
A SK Hynix divulgou lucro trimestral recorde, mas ainda assim ficou abaixo das estimativas dos analistas. As ações da companhia caíram mais de 10% em uma sessão, mostrando como o mercado passou a exigir resultados excepcionalmente fortes para justificar as avaliações anteriores.
Outras empresas de memória, como SanDisk e Western Digital, também sofreram perdas expressivas. A queda superior a 10% da SanDisk no pré-mercado em 6 de agosto reforçou a percepção de que a pressão sobre os resultados ainda não havia terminado.
A Samsung Electronics nem sempre escapou da onda de vendas. Em algumas sessões recentes, incluindo 3 de agosto, tanto a Samsung quanto a SK Hynix caíram mais de 6%.
Na sexta-feira, porém, a Samsung foi a empresa de melhor desempenho relativo entre as principais ações citadas. Uma possível explicação é a diversificação de seus negócios: além de memórias, a companhia atua em foundry — fabricação de chips projetados por outras empresas —, chips lógicos e eletrônicos de consumo. A SK Hynix, por sua vez, tem exposição muito mais concentrada em memória e memória de alta largura de banda, conhecida pela sigla HBM, usada em aplicações de inteligência artificial.
A diferença de desempenho não elimina os riscos. Em uma sessão anterior, o KOSPI chegou a cair 5,1%, enquanto Samsung e SK Hynix recuaram quase 9%, depois de terem subido cerca de 27% e 30%, respectivamente, no pregão anterior. A reversão foi atribuída ao desmonte de operações alavancadas.
A principal questão ainda não foi respondida: a queda representa uma correção cíclica dentro de um ciclo estrutural de expansão da inteligência artificial ou indica que o boom das memórias está chegando ao pico?
O Citi recomendou comprar durante a correção e avaliou que o ciclo de alta ainda estaria em seus estágios iniciais. Já a velocidade da liquidação — que eliminou mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado em poucos dias — e a onda recorde de rebaixamentos em julho mostram que o mercado permanece profundamente dividido sobre a capacidade da demanda por HBM de sustentar as avaliações atuais.
Por enquanto, os investidores parecem menos dispostos a pagar caro por promessas futuras. Mesmo empresas que apresentam lucro recorde podem ser punidas quando o resultado fica abaixo das expectativas ou quando surgem dúvidas sobre preços, estoques e o ritmo dos gastos em IA.