Fedorov afirmou que ele e Musk haviam conversado pela última vez “há alguns dias” e que os canais de comunicação permanecem abertos . Embora tenha descrito a tarefa como complexa, o ex-ministro disse que a expansão do uso do Starlink para ataques está na pauta .
As negociações são conduzidas por Fedorov como cidadão privado, depois de sua demissão em 15 de julho de 2026, e não em uma função oficial do governo .
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy também abordou o assunto separadamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião em Washington em julho. Zelenskyy teria pedido que Trump conversasse com Musk sobre a ampliação da cobertura do Starlink sobre o território russo, com o objetivo de atingir locais de lançamento de mísseis . Segundo relatos, Trump não assumiu um compromisso claro .
A proposta envolve uma mudança sensível no emprego de uma rede comercial de internet via satélite em operações militares. Até o momento, Fedorov confirmou a existência das conversas, mas não anunciou que as restrições tenham sido suspensas.
A atual iniciativa se apoia em um resultado obtido por Fedorov quando ele ainda era ministro da Defesa. Em fevereiro de 2026, ele convenceu Musk a desativar terminais Starlink que forças russas usavam para orientar drones de ataque do tipo Shahed contra a Ucrânia .
Fedorov disse que procurou Musk depois que surgiram evidências do uso russo e alertou: “Entendemos que, se não desativássemos o Starlink dos russos naquele momento, isso se tornaria um problema nosso” .
A SpaceX desativou todos os terminais Starlink localizados em território ucraniano, inclusive os usados pela Rússia. Em seguida, reativou apenas os equipamentos ucranianos verificados por meio de “listas brancas”, atualizadas diariamente . Autoridades russas reconheceram que os terminais ficaram inoperantes por duas semanas a partir do início de fevereiro de 2026 .
Mais tarde, o Pentágono atribuiu ao bloqueio do Starlink parte da recuperação de aproximadamente 400 km² pela Ucrânia durante uma contraofensiva .
Zelenskyy demitiu Fedorov em 15 de julho de 2026, como parte de uma ampla reformulação do gabinete, depois de apenas seis meses no cargo . A decisão foi inesperada e provocou protestos públicos em Kiev e em outras cidades ucranianas .
Posteriormente, Fedorov afirmou que sua pressão para reformar o sistema de compras militares foi o principal motivo de sua saída . Ele também recusou uma oferta de Zelenskyy para retornar ao governo em outra função .
Mesmo fora do cargo, Fedorov continuou falando com Musk sobre o acesso ao Starlink. A persistência sugere que ele considera o tema uma prioridade estratégica pessoal, e não apenas uma atribuição ligada ao antigo posto ministerial .
Em 14 de julho, um dia antes da confirmação de sua demissão, Fedorov revelou que a Ucrânia havia realizado um teste bem-sucedido de um míssil balístico desenvolvido no país . Em uma mensagem de despedida, ele chamou o momento de simbólico: “Nosso míssil balístico. Simbolicamente, no dia em que o governo foi demitido, testamos com sucesso um míssil balístico ucraniano” .
O tipo de míssil não foi divulgado. Em uma declaração posterior, Fedorov disse que o lançamento realizado em julho atingiu o alvo e que a arma foi projetada para destruir lançadores de mísseis russos .
Veículos especializados ucranianos especularam que o projeto pode estar relacionado ao programa de míssil operacional-tático Sapsan, também conhecido como Grom-2 . A hipótese, porém, não foi confirmada oficialmente.
Segundo Fedorov, o projeto esteve sob responsabilidade do Ministério da Defesa, teve suas especificações técnicas revisadas, alcançou o máximo de precisão e reduziu em 30% o custo de produção .