A declaração foi divulgada pela agência estatal norte-coreana KCNA e veio poucos dias depois do primeiro teste de lançamento de um míssil de cruzeiro Tomahawk fabricado nos Estados Unidos por um navio japonês.
A Força Marítima de Autodefesa do Japão lançou o míssil a partir do destróier Aegis JS Chokai, no Oceano Pacífico. Os relatos indicam 29 de julho no horário japonês, embora algumas reportagens mencionem 28 de julho conforme o fuso local. O teste foi realizado com apoio da Marinha dos Estados Unidos .
O lançamento foi apresentado pelo governo japonês como parte do desenvolvimento de uma capacidade de ataque de longo alcance, oficialmente justificada como instrumento de autodefesa e dissuasão diante das ameaças regionais . Para Pyongyang, porém, o episódio demonstrou que Tóquio está ampliando suas capacidades ofensivas.
Kim citou principalmente quatro razões:
Em sua formulação mais contundente, ela acusou o Japão de ser um “Estado criminoso de guerra” que estaria acelerando sua transformação em um “Estado de guerra”, aproveitando o agravamento das disputas geopolíticas e da rivalidade entre blocos .
A advertência ocorreu um dia depois de o Japão divulgar seu Livro Branco de Defesa de 2026. O documento descreveu o ambiente de segurança ao redor do país como o “mais severo e complexo desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, mencionando a cooperação militar crescente entre China, Rússia e Coreia do Norte, além de patrulhas de bombardeiros e do apoio de Moscou à modernização militar norte-coreana .
O governo japonês também defendeu a necessidade de reforçar suas Forças de Autodefesa com um “senso de urgência e crise” . A estratégia inclui mísseis de cruzeiro, sistemas não tripulados e outras tecnologias voltadas à chamada capacidade de contra-ataque.
A China igualmente criticou o teste do Tomahawk, afirmando que ele refletiria a intenção japonesa de prejudicar seus interesses e alertando para um possível ressurgimento do militarismo japonês .
A declaração não anunciou uma operação específica nem identificou qual armamento seria empregado. O aviso, no entanto, sinaliza que a Coreia do Norte pretende apresentar o fortalecimento militar japonês como justificativa para desenvolver suas próprias armas, incluindo seus programas nuclear e de mísseis .
Assim, a mensagem de Kim Yo Jong teve dois alvos: pressionar o Japão contra a ampliação de sua capacidade de ataque de longo alcance e enquadrar futuras ações militares norte-coreanas como uma resposta defensiva ao eixo de segurança entre Tóquio e Washington.