A controvérsia, inicialmente amplificada publicamente pelo ex-pesquisador de Cambridge Nathan Cofnas, gira em torno de várias acusações distintas:
Plágio em sua tese de doutorado e artigos. Cofnas alegou ter encontrado 188 frases no trabalho de Arday que pareciam copiadas com edição mínima de outras fontes, incluindo passagens da tese de doutorado de outro aluno. Um software de detecção de plágio supostamente constatou que "muitas passagens são copiadas com edição mínima, às vezes mantendo erros de revisão da fonte original" . A Liverpool John Moores University, onde Arday concluiu seu doutorado, revisou anteriormente o trabalho e concluiu que não havia plágio .
Falsas alegações de arrecadação de fundos para caridade e feitos de ultra-resistência. Arday afirmou ter arrecadado mais de £5 milhões para caridade por meio de feitos como correr 30 maratonas em 35 dias, 300 milhas em três dias e 600 milhas em uma esteira. O valor de £5 milhões foi questionado quando registros de arquivo não puderam corroborá-lo . Arday disse ao Guardian que o dinheiro foi arrecadado com a ajuda de outras pessoas ao longo de 20 anos, mas não pôde identificá-los devido a acordos de confidencialidade. Ele disse ao Times que mantinha seus recordes de corrida, afirmando: "Não posso fazer as pessoas acreditarem em mim... Ninguém vive a vida tendo um recibo para cada coisa que diz ou fez" .
Nomeações honoríficas em universidades sem registro. Várias universidades supostamente não tinham registro dos cargos honoríficos que Arday alegava ocupar .
Uma falsa alegação de publicação de livro. O Telegraph revelou que Arday afirmou falsamente ter publicado um livro .
A ameaça da cabeça de porco. Arday disse em entrevistas à imprensa que uma cabeça de porco decepada foi entregue na casa de seus pais durante uma campanha de intimidação. Foram levantadas dúvidas se esse evento realmente ocorreu . A Polícia Metropolitana confirmou que não encontrou registro de uma investigação sobre tal incidente .
Em uma declaração publicada no site do Good Law Project, Arday escreveu:
"É com profunda tristeza que escrevo para renunciar, com efeito imediato, ao meu cargo na Universidade de Cambridge e no Jesus College. Quando aceitei a extraordinária honra de me tornar professor de sociologia em Cambridge, foi, sem dúvida, o maior privilégio profissional da minha vida. Os anos desde minha nomeação também foram marcados por um nível implacável de escrutínio público e ataque pessoal... chega um ponto em que o custo pessoal se torna grande demais. Pelo meu bem-estar, pela minha família e por aqueles que estiveram ao meu lado durante este período difícil, concluí que a única maneira de encerrar este capítulo é me afastar. Este não é o fim do meu trabalho. Quando chegar a hora, voltarei."
Ele disse que a renúncia não deve ser interpretada como aceitação "das narrativas que me cercaram" .
Talvez a dimensão mais incomum da história de Arday envolva Jack Grove, repórter do Times Higher Education. Grove passou meses montando um dossiê de 63 páginas documentando suposto plágio no trabalho de Arday. Depois de enviar uma série de perguntas formais a Arday em setembro de 2025, a equipe jurídica de Arday — o escritório Carter-Ruck — reclamou à polícia, acusando Grove de assédio .
A Scotland Yard (Polícia Metropolitana) investigou Grove por quatro meses e disse a ele para parar de contatar Arday . Crucialmente, quando a polícia finalmente informou Grove que o assunto estava encerrado, eles disseram que ele não havia enviado e-mails a Arday em quatro meses — seu último contato havia sido o e-mail de direito de resposta em setembro . O advogado de Arday também acusou Grove de assédio racialmente motivado .
Separadamente, o editor do Times Higher Education, Chris Havergal, arquivou a investigação original de Grove após receber uma carta ameaçadora de Carter-Ruck . O editor disse mais tarde que "sentiu que nossa investigação era jornalística e editorialmente sólida", mas se recusou a comentar totalmente a decisão editorial . Todo o episódio gerou preocupações generalizadas com a liberdade de imprensa, com críticos argumentando que Arday usou queixas policiais e ameaças de difamação para suprimir o escrutínio jornalístico .
O livro de memórias de Arday, Great and Unfortunate Things (Simon & Schuster), estava previsto para ser publicado ainda em agosto de 2026. Sua renúncia pode pausar ou interromper seu lançamento . Arday disse que precisa de "tempo para se curar" e planeja retornar ao trabalho acadêmico, mas não deu um prazo . Não está claro se as investigações de Cambridge prosseguirão agora que Arday renunciou ou se serão encerradas. O debate sobre a liberdade de imprensa em torno da investigação da Scotland Yard sobre Jack Grove continua, com Grove e o Times Higher Education ainda enfrentando perguntas sobre a história arquivada e o envolvimento policial .