A demanda implacável por servidores de IA, a alocação contínua de capacidade para HBM e o crescente consumo de memória por CPUs devem manter o fornecimento de DRAM extremamente apertado até 2027, com preços em trajetória de alta . O mercado de NAND Flash, por outro lado, deve começar a aliviar na segunda metade de 2027, conforme novas linhas de produção entram em operação, mas o primeiro semestre continuará crítico .
A situação é particularmente severa para fabricantes independentes de módulos de memória. De acordo com o CEO da Apacer, o fornecimento de DRAM dos grandes players para esses integradores pode cair para apenas 30% dos níveis de 2026 no próximo ano . Há novas fábricas sendo construídas, como a unidade da Micron em Tongluo (Taiwan) e a entrada de um quarto grande fornecedor de DRAM no mercado, mas essas adições não devem aliviar a oferta de forma significativa antes do final de 2027 .
O mercado vive um "superciclo de memória" histórico:
Na teleconferência de resultados da Apple do Q3 de 2026 (30 de julho), a última de Tim Cook como CEO, ele fez alertas contundentes:
Diante da crise, a Apple tentou um movimento ousado. A partir do final de junho de 2026, a empresa começou a fazer lobby junto ao governo Trump para obter autorização para comprar chips de memória DRAM da ChangXin Memory Technologies (CXMT), uma fabricante chinesa que está na lista negra militar 1260H do Pentágono . O próprio Tim Cook apelou pessoalmente a autoridades da Casa Branca . A Apple também iniciou testes com DRAM da CXMT para dispositivos vendidos na China .
A tentativa gerou forte reação política. Um grupo bipartidário de senadores dos EUA enviou uma carta à Apple alertando a empresa a abandonar qualquer esforço para comprar chips de fornecedores chineses na lista negra, argumentando que a fabricante do iPhone corria o risco de se tornar dependente de um adversário dos EUA .
No entanto, o golpe final veio de onde a Apple menos esperava. De acordo com um relatório publicado em 5 de agosto de 2026, a Apple falhou em sua tentativa de garantir chips de memória mais baratos da CXMT. A Apple negociou preços para produtos DRAM móveis, incluindo a memória LPDDR5X, mas a CXMT rejeitou o pedido de descontos. Em um mercado onde toda a capacidade já está pré-vendida, o fabricante chinês não teve nenhum incentivo para oferecer preços mais baixos .
Em resumo, a Apple tentou contornar a crise histórica de memória recorrendo a um fornecedor chinês na lista negra, fez lobby em Washington, enfrentou oposição bipartidária no Senado e foi, no fim, rejeitada pela própria CXMT — que não viu razão para abrir mão de sua margem.