Uma nova análise das imagens do sobrevoo de 2015 da New Horizons, publicada pela NASA em 5 de agosto de 2026, fornece a primeira evidência direta de nitrogênio líquido fluindo na superfície de Plutão em tempos geologicamente recentes . O estudo se concentra na borda norte de Sputnik Planitia, o lobo esquerdo do icônico "coração" de Plutão — uma vasta bacia de 1.000 quilômetros de largura preenchida com gelo de nitrogênio .
De acordo com a análise, o nitrogênio líquido está subindo à superfície através de rachaduras no gelo. O derretimento basal da espessa camada de gelo de nitrogênio flui para cima, atingindo a superfície antes de congelar. Ele tem tempo suficiente para se acumular em depressões topográficas antes de solidificar novamente . Isso não é um evento único; a ausência completa de crateras de impacto em Sputnik Planitia confirma que esses processos de convecção e derretimento estão em andamento geologicamente .
Um artigo complementar submetido ao arXiv em 25 de junho de 2026, pela equipe de Alan Stern — incluindo Stern, Umurhan, Clow, Anderson, Howard, Singer e a equipe New Horizons — se aprofunda nos detalhes da superfície . Eles analisaram os polígonos nítidos e de bordas escuras visíveis no norte de Sputnik Planitia.
Esses polígonos foram reconhecidos anteriormente como células de convecção, análogas às bolhas em uma panela de água fervente, renovando a superfície em ciclos de aproximadamente 500.000 anos . A nova interpretação adiciona uma camada crucial: as bordas escuras e nítidas dos polígonos e as zonas difusas adjacentes são evidências de nitrogênio molecular líquido (N₂) proveniente de baixo da geleira — ou seja, derretimento basal .
Este mecanismo é distinto da convecção de estado sólido anteriormente reconhecida. Implica transporte em fase líquida, não apenas fluxo de gelo sólido. Para que a interpretação seja válida, três condições tiveram que ser atendidas: (a) derretimento basal da camada de gelo de N₂, (b) o líquido atingindo a superfície antes de congelar durante seu trânsito ascendente através do gelo sobrejacente mais frio, e (c) tempo de fluxo suficiente na superfície para preencher depressões topográficas antes de solidificar . Os autores concluem que essas marcas escuras não são apenas limites de convecção; são expressões superficiais de um sistema de nitrogênio líquido subterrâneo que está alimentando ativamente a geleira .
Enquanto uma parte do ciclo do nitrogênio de Plutão está derretendo por baixo, outra está congelando por cima. Uma pesquisa separada liderada por Amanda Sickafoose e publicada no The Planetary Science Journal em agosto de 2026 revela o primeiro declínio mensurável na pressão atmosférica de Plutão desde sua descoberta em 1988 .
A equipe analisou dez ocultações estelares — momentos em que Plutão passou na frente de estrelas distantes — entre 2017 e 2023. O método de ocultação estelar usa como a atmosfera de Plutão refrata e absorve a luz das estrelas para construir um perfil de pressão . Suas descobertas :
Esta é a primeira queda medida desde que a atmosfera foi descoberta, confirmando previsões antigas de que a atmosfera de Plutão começaria a colapsar à medida que ele se afasta do Sol ao longo de sua órbita de 248 anos . Plutão atingiu o periélio (sua aproximação mais próxima do Sol) em 1989. À medida que se afasta, menos luz solar atinge a superfície, fazendo com que o gás nitrogênio congele de volta ao solo .
Em conjunto, as duas descobertas pintam um novo retrato de Plutão como um corpo preso entre a atividade impulsionada pelo calor interno (que renova a superfície) e o colapso atmosférico impulsionado pela órbita. A tabela abaixo resume os principais processos:
| Processo | Motor | Escala de tempo | Implicação |
|---|---|---|---|
| Derretimento basal de N₂ líquido atingindo a superfície | Derretimento basal da camada de gelo de N₂ impulsionado por calor geotérmico/isolamento | Contínuo, geologicamente recente | Plutão é internamente ativo, não estático — nitrogênio líquido flui através de rachaduras e se acumula na superfície |
| Renovação das células de convecção | Convecção térmica na camada de gelo de N₂ | Ciclos de ~500.000 anos | A superfície é continuamente rejuvenescida, explicando a ausência de crateras |
| Declínio da pressão atmosférica (queda de 16%) | Diminuição da insolação sazonal à medida que Plutão se afasta do periélio | Décadas | A atmosfera de Plutão está fazendo a transição de expansão para colapso; o nitrogênio está congelando na superfície |
O quadro unificador é este: Plutão é mais dinâmico do que nunca se imaginou. Nitrogênio líquido está subindo ativamente das profundezas e fluindo por sua superfície ao mesmo tempo que a atmosfera está encolhendo. Os dois podem estar ligados. À medida que o nitrogênio atmosférico congela na superfície, ele pode recarregar a camada de gelo que alimenta o sistema de derretimento basal, criando um ciclo criogênico de voláteis que conecta o subsolo, a superfície e a atmosfera .
Plutão não é uma relíquia gelada e morta. É um mundo em transição, onde o nitrogênio volátil é constantemente redistribuído entre o interior, a superfície e o céu. A profunda geleira de nitrogênio que forma o coração de Plutão não é um fóssil estático — é um sistema vivo e fluido, alimentado por baixo e reabastecido por cima.