A evidência humana mais direta vem do estudo de Caglayan et al., que analisou as mudanças em várias classes de células no córtex humano vivo . As principais descobertas incluem:
Um estudo de 2025 com tecido do córtex temporal humano mantido vivo (ex vivo) relatou que a DBS aumenta preferencialmente as taxas de disparo em células piramidais em comparação com interneurônios e fortalece os conjuntos de células (cell assemblies), ligando esses efeitos fisiológicos a redes genéticas envolvidas no aprendizado e na memória .
Em um modelo de camundongo com AVC, a DBS hipocampal — analisada com transcriptômica de célula única — mostrou remodelar subpopulações de micróglia e promover a neuro-reparação, incluindo o aumento de fatores neurotróficos e a diminuição de assinaturas genéticas inflamatórias . Embora sejam dados de roedores, eles se alinham com os temas transcricionais neuroprotetores observados no tecido humano.
A tabela abaixo resume as respostas moleculares observadas em diferentes tipos de células cerebrais, a partir de estudos em humanos e animais:
| Tipo de célula | Resposta transcricional observada à DBS | Evidência principal |
|---|---|---|
| Neurônios piramidais excitatórios | Aumento de genes de resposta imediata, genes de plasticidade sináptica e fatores de transcrição dependentes de atividade | snRNA-seq de córtex humano ; ex vivo humano |
| Interneurônios inibitórios | Aumentos modestos nas taxas de disparo e mudanças na expressão genética, menos pronunciados que nas células piramidais | snRNA-seq de córtex humano ; ex vivo humano |
| Astrócitos | Expressão alterada de genes relacionados à homeostase do glutamato, metabolismo e suporte neurotrófico | snRNA-seq de córtex humano |
| Micróglia | Mudança para um estado transcricional associado à neuroproteção/reparação; redução de assinaturas pró-inflamatórias | scRNA-seq de hipocampo de camundongo |
| Neurônios GABAérgicos (mesencéfalo/prosencéfalo) | Aumento de GABAA e GAD1 após DBS do feixe prosencefálico medial, com especificidade regional | Modelo de rato |
A DBS do fórnix é o principal alvo da estimulação cerebral profunda para declínio cognitivo, com ensaios clínicos ativos na doença de Alzheimer . A justificativa mecanicista está diretamente ligada às descobertas sobre expressão genética:
Neurogênese e plasticidade. Em um modelo de camundongo com síndrome de Rett, a DBS do fórnix induziu mudanças na expressão genética e no splicing que promovem a neurogênese adulta e a plasticidade sináptica no hipocampo . Essas mesmas vias (por exemplo, sinalização de BDNF, CREB) estão sendo alvo de ensaios clínicos para Alzheimer.
Resgate em nível de circuito. A DBS do fórnix ativa o circuito da memória (hipocampo – corpos mamilares – tálamo anterior), e acredita-se que as mudanças transcricionais descritas acima melhorem a potenciação de longo prazo e a manutenção sináptica .
Resultados clínicos. Uma revisão sistemática e meta-análise de 2025 sobre DBS do fórnix para Alzheimer descobriu que os pacientes apresentaram desaceleração do declínio cognitivo e, em alguns subgrupos, melhora modesta nas escalas ADAS-Cog e MMSE . Um estudo de biomarcadores de 2025, parte do ensaio ADvance, relatou que 12 meses de DBS do fórnix foram associados à redução da atrofia hipocampal em comparação com pacientes com Alzheimer não tratados .
Efeitos colinérgicos e relacionados ao amiloide. Uma revisão abrangente de 2025 sobre DBS para Alzheimer concluiu que os mecanismos terapêuticos incluem a redução da deposição de beta-amiloide, a ativação do sistema colinérgico, o aumento de fatores neurotróficos e o aprimoramento da atividade sináptica — todos consistentes com as mudanças na expressão genética observadas em modelos humanos e animais .
Em resumo, a DBS produz mudanças transcricionais e epigenômicas rápidas e específicas para cada tipo de célula no córtex humano — mais proeminentemente em neurônios excitatórios, mas também na glia — que se alinham com mecanismos pró-plasticidade, neuroprotetores e anti-inflamatórios. Essas descobertas fornecem uma estrutura molecular para explicar por que a DBS do fórnix pode desacelerar a degeneração hipocampal e o declínio cognitivo na doença de Alzheimer, embora a base de evidências ainda seja preliminar e ensaios confirmatórios maiores sejam necessários.