O magnetar 1E 1547.0−5408 é uma estrela de nêutrons com um campo magnético de aproximadamente 10¹⁴–10¹⁵ Gauss — bilhões de vezes mais forte do que qualquer campo alcançável na Terra . As observações do IXPE, realizadas entre março e abril de 2025, detectaram um grau de polarização linear de 47,7% ± 2,9% na banda de raios-X de 2–8 keV . Isso é cerca de três vezes maior do que a polarização medida em outros magnetares . Modelos padrão de emissão térmica de superfície, que normalmente preveem uma polarização de apenas 15–20%, não conseguem explicar esse valor .
A polarização anormalmente alta só pode ser produzida se a birrefringência a vácuo estiver ativamente filtrando os fótons de raios-X enquanto eles se propagam pela magnetosfera do magnetar, selecionando um modo de polarização sobre o outro e aumentando a polarização líquida .
Em condições cotidianas, o espaço vazio é opticamente isotrópico — a luz viaja da mesma forma em todas as direções. A eletrodinâmica quântica (QED), no entanto, prevê que em um campo magnético extremamente forte, o vácuo se torna birrefringente. Ele age como um cristal, curvando a luz de forma diferente dependendo da direção de sua polarização .
Esse efeito surge porque pares virtuais de elétron-pósitron no vácuo quântico se polarizam sob a influência do campo magnético, fazendo com que o vácuo se comporte como um meio birrefringente . Teorizado pela primeira vez por Werner Heisenberg em 1936, o efeito nunca havia sido observado diretamente até agora .
Magnetares são os objetos mais magnéticos do universo. Com intensidades de campo que chegam a 10¹⁴–10¹⁵ Gauss, eles criam condições impossíveis de replicar em qualquer laboratório terrestre . A campanha coordenada foi a primeira medição simultânea de polarização de raios-X e rádio de um magnetar, permitindo que a equipe descartasse explicações alternativas e confirmasse a geometria da fonte .
O ângulo de polarização medido pelo IXPE foi consistente com modelos de vetor rotativo que incorporam a birrefringência a vácuo, e as observações simultâneas de rádio do Parkes confirmaram a geometria da região de emissão .
Esta descoberta marca a primeira confirmação observacional direta da birrefringência a vácuo — um efeito puro da QED que permaneceu experimentalmente elusivo por quase 90 anos . Os resultados abrem uma nova janela para as propriedades quânticas do espaço vazio sob condições extremas, transformando efetivamente os magnetares em laboratórios naturais para testar a física fundamental .
Os pesquisadores envolvidos no estudo, incluindo Rachael Stewart, da Universidade George Washington, e Hoa Dinh Thi, da Universidade Rice, enfatizaram que a abordagem coordenada de múltiplos comprimentos de onda foi essencial. As simulações mostraram que, para satisfazer simultaneamente as restrições de polarização de raios-X e rádio, a birrefringência a vácuo deve estar presente ao redor da estrela de nêutrons .
A detecção confirma que o vácuo não é verdadeiramente vazio — ele pode ser polarizado e pode alterar a propagação da luz de maneiras que só são detectáveis nos ambientes magnéticos mais extremos do cosmos. Essa capacidade, por sua vez, fornece uma nova ferramenta para sondar a estrutura quântica do próprio espaço-tempo .