Irã e Omã estão nos 'estágios finais' das negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, mas as divergências fundamentais sobre pedágios e controle soberano — além da recusa de Teerã em negociar com os EUA — deixam o d... O petróleo Brent caiu 7% na segunda feira (3/8) antes de se recuperar, com o mercado precificand...
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O Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, está praticamente fechado desde o final de fevereiro de 2026, quando o Irã retaliou uma campanha aérea dos EUA e de Israel bloqueando e minando a passagem . O fechamento desencadeou um complexo esforço diplomático que, no início de agosto de 2026, produziu avanços reais — mas nenhum acordo final — entre Irã e Omã, enquanto os Estados Unidos oscilam entre o otimismo e os ultimatos militares.
O canal diplomático mais concreto passa por Mascate. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse em 2 de agosto que as negociações com Omã estavam entrando em seus 'estágios finais', com discussões técnicas e políticas em andamento . Um arcabouço técnico foi discutido, que daria ao Irã o controle total sobre o tráfego de entrada, com Omã liberando as embarcações de saída após notificar o Irã
.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, insistiu repetidamente que Teerã está negociando exclusivamente com Omã e 'ainda não está retomando as conversas com os EUA' . A distinção é importante: o Irã enquadra as conversas como uma questão bilateral de gestão marítima, enquanto Washington as retrata como um caminho para um fim mais amplo da guerra entre EUA e Irã.
Autoridades dos EUA expressaram crescente confiança. O secretário de Estado Marco Rubio disse em 4 de agosto que houve progresso e que Washington estava envolvido nas negociações . O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi além, sugerindo que um acordo poderia ser alcançado 'hoje ou amanhã'
. O presidente Trump chamou as conversas de 'última chance' do Irã para evitar uma escalada da guerra
.
Ao mesmo tempo, os EUA mantiveram forte pressão. Em meados de julho, Washington emitiu um ultimato exigindo que o Irã declarasse publicamente o estreito 'seguro e acessível' ou enfrentaria novos ataques . Trump restabeleceu um bloqueio naval ao Irã em meados de julho e ameaçou uma tarifa de 20% sobre todas as mercadorias que transitassem pelo estreito
. A mensagem é contraditória por design: os EUA sinalizam abertura para um acordo, mantendo as opções militares totalmente na mesa.
O núcleo diplomático é um choque entre duas propostas:
O plano de Omã, apoiado pelos países do Golfo, prevê um mecanismo conjunto de gestão regional para o estreito, com taxas apenas voluntárias para o trânsito — não as cobranças obrigatórias que o Irã quer. Os estados do Golfo apoiaram essa abordagem .
A contraproposta do Irã é um arranjo temporário que daria ao Irã maior controle: uma direção do tráfego passaria por águas iranianas, e parte da rota oposta também estaria em águas iranianas. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que Teerã rejeitou a proposta de supervisão conjunta de Omã porque ela não abordava as preocupações de segurança de Teerã .
A dimensão financeira é um ponto crítico de discórdia. O Irã busca taxas de serviço para a passagem de embarcações, com as receitas divididas entre Irã e Omã, mas os detalhes da divisão permanecem indefinidos. A proposta de Omã torna as taxas voluntárias; o Irã as quer obrigatórias .
Teerã também vinculou qualquer reabertura a demandas mais amplas: alívio de sanções, garantias de segurança, reconhecimento de sua autoridade marítima e o fim do bloqueio naval dos EUA .
Os sinais diplomáticos colocaram os preços do petróleo em uma montanha-russa. Em 3 de agosto, os futuros do Brent caíram US$ 4,08 (4,64%) para US$ 83,85, e o WTI perdeu cerca de 5%, fechando em torno de US$ 80 o barril, depois que Trump cancelou os ataques planejados e sinalizou conversas . Em 4 de agosto, o petróleo se recuperou cerca de 1%, com analistas céticos de que uma resolução esteja realmente próxima, dadas as lacunas técnicas e políticas não resolvidas
.
O analista Joseph Dahrieh, da Tickmill, disse ao Wall Street Journal que o Irã parecia estar 'se aproximando de um acordo com Omã', mas alertou que a negação do Irã de negociações diretas com os EUA 'ainda pode restringir o grau' de qualquer alívio no mercado . Em um comentário separado à Reuters, ele observou que o mercado continua volátil e incerto
. Em 5 de agosto, o Brent era negociado perto de US$ 79 o barril
.
A via diplomática corre paralela às hostilidades ativas. Os EUA retomaram os ataques ao Irã em um esforço para acabar com o controle de Teerã sobre o estreito, após uma escalada em junho . Os EUA instaram os aliados a ajudar na reabertura da via navegável
. Trump ameaçou bombardear a infraestrutura iraniana — pontes e usinas de energia — para cada navio alvejado no estreito
.
O custo humano está aumentando. O transporte comercial foi severamente interrompido desde a declaração de fechamento total do Irã em abril de 2026, com vários ataques a embarcações . O IRGC declarou o estreito fechado 'até novo aviso' em 11 de julho, depois de atacar uma embarcação não autorizada
. A Organização Marítima Internacional (IMO) informou em 21 de abril que cerca de 20 mil marinheiros e 2 mil navios foram afetados pelo fechamento
. Marinheiros e tripulantes retidos tornaram-se uma crescente preocupação humanitária.
Em uma via secundária, o Irã sinalizou abertura para assistência europeia em operações de desminagem no estreito, mas nenhum acordo formal foi alcançado .
O processo diplomático está em um ponto de inflexão crítico. Irã e Omã fizeram progressos reais em um arcabouço técnico, mas a lacuna fundamental entre o modelo de taxas voluntárias e gestão conjunta de Omã e a demanda do Irã por controle soberano e taxas obrigatórias permanece sem solução. Os EUA estão publicamente otimistas, mas continuam a ameaçar ação militar, enquanto Teerã insiste que não está negociando diretamente com Washington. Os mercados de petróleo precificaram alguma esperança de um acordo, mas os analistas consideram um acordo final longe de ser certo. As próximas 48 a 72 horas, como sugeriram Bessent e Rubio, podem determinar se o estreito será reaberto — ou se o conflito se intensificará ainda mais.
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