O lucro operacional da Honda no período de abril a junho mais que dobrou, chegando a ¥530,8 bilhões, contra ¥244,2 bilhões um ano antes. O número ficou 76% acima da previsão média dos analistas, de ¥302,1 bilhões .
A principal contribuição veio do câmbio. O iene foi negociado perto de ¥155 por dólar, acima da premissa anterior da Honda, de ¥140. Para uma empresa que obtém parte importante de sua receita no exterior, um iene mais fraco aumenta, quando convertidos para a moeda japonesa, o valor dos resultados obtidos em outros países .
Essa mudança ajudou a empresa a elevar em 30% sua projeção de lucro operacional para o ano fiscal: de ¥500 bilhões para ¥650 bilhões .
A divisão de automóveis registrou lucro operacional de ¥192,1 bilhões, revertendo um prejuízo de ¥29,6 bilhões no mesmo trimestre do ano anterior .
A virada foi favorecida por três elementos principais:
O desempenho chama atenção porque ocorreu mesmo com uma queda de 4% nas vendas globais de veículos e um recuo de quase 50% nas vendas na China, onde a Honda enfrenta concorrência intensa de fabricantes locais de veículos elétricos .
A operação de motocicletas alcançou lucro operacional recorde de aproximadamente ¥189 bilhões no trimestre . A receita do segmento cresceu 19,9% na comparação anual, apoiada sobretudo pelas vendas fortes no Brasil e no Vietnã .
A divisão se consolidou como uma das áreas mais rentáveis e previsíveis da Honda, contribuindo com uma parcela relevante do resultado total justamente quando o negócio de automóveis enfrenta mais pressão.
O segmento de serviços financeiros contribuiu com cerca de ¥85 bilhões em lucro operacional . A unidade reúne operações de financiamento, empréstimos e leasing vinculadas aos produtos da Honda nos Estados Unidos e em outros mercados.
Por gerar receitas relativamente estáveis com crédito e arrendamento, o segmento funcionou como um segundo pilar de resultados e ajudou a reduzir a volatilidade das operações industriais.
A receita total aumentou 13,5%, para ¥6,06 trilhões . O avanço não veio de um crescimento no volume de veículos vendidos, mas principalmente da conversão cambial favorável e de um mix de produtos mais valorizado, com maior participação de híbridos e modelos premium.
Além da queda global de 4% nas vendas, a Honda sofreu com o tombo de quase 50% na China, em meio à competição de montadoras locais de veículos elétricos . Os custos mais altos de materiais relacionados à guerra entre Israel e Irã também pressionaram as margens .
Ainda assim, o ganho cambial, a recuperação dos automóveis, o recorde nas motocicletas e a contribuição dos serviços financeiros foram suficientes para mais do que compensar esses obstáculos.
A Honda elevou sua previsão de lucro operacional anual de ¥500 bilhões para ¥650 bilhões com base em três fatores:
A empresa também projetou lucro líquido anual de ¥420 bilhões .
Em resumo: o iene mais fraco foi o principal impulso para o grupo como um todo. Mas a alta não se explica apenas pelo câmbio: a divisão de automóveis saiu de um prejuízo para um lucro expressivo, enquanto as motocicletas registraram resultado recorde. Essa combinação operacional deu consistência ao ganho cambial e ajudou a Honda a superar as previsões em 76% e aumentar sua projeção anual em 30%.