Super El Niño de 2026: o que os cientistas já sabem sobre o calor recorde e os riscos para a Amazônia
O El Niño de 2026 está se intensificando mais rapidamente do que quase qualquer evento registrado. A temperatura do oceano na região Niño 3.4 chegou a 1,4 °C acima da média no fim de julho, ante 0,7 °C em 11 de junho — uma velocidade de aquecimento considerada excepcional.
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O El Niño de 2026 está se intensificando mais rapidamente do que quase qualquer evento registrado.
A temperatura do oceano na região Niño 3.4 chegou a 1,4 °C acima da média no fim de julho, ante 0,7 °C em 11 de junho — uma velocidade de aquecimento considerada excepcional.
A Amazônia entra no novo evento ainda debilitada pela seca de 2023–2024. O calor, a estiagem, a queda dos rios e o risco de incêndios podem se agravar, enquanto a mudança climática torna os impactos mais intensos e me...
What is the current state of the rapidly strengthening El Niño event in 2026, how likely is it to become a record-setting super El Niño, whaSea surface temperature anomalies in the Pacific Ocean showing the intensifying 2026 El Niño event. Red and orange areas indicate warmer-than-average waters.
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O El Niño de 2026 deixou de ser apenas uma possibilidade nos modelos de previsão. O fenômeno já está presente e se fortalece rapidamente no Pacífico, em um ritmo que preocupa pesquisadores e pode levar o evento a figurar entre os mais intensos da história das medições modernas.
No fim de julho, a temperatura da área Niño 3.4 — região usada como referência para medir a força do El Niño — chegou a 1,4 °C acima da média. Em 11 de junho, o índice estava em 0,7 °C, quase metade do valor registrado poucas semanas depois .
A atmosfera também começou a responder ao aquecimento do oceano. A principal dúvida agora não é mais se o evento será relevante, mas quão forte ele ficará e quais serão os efeitos em um planeta que já está muito mais quente por causa das emissões humanas.
Um El Niño que ganha força em velocidade incomum
A atualização de 31 de julho do Centro de Previsão Climática da NOAA, a agência meteorológica dos Estados Unidos, confirmou a presença do El Niño e indicou que ele deve se intensificar até o fim de 2026. A probabilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 é de 97% .
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O El Niño de 2026 está se intensificando mais rapidamente do que quase qualquer evento registrado.
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O El Niño de 2026 está se intensificando mais rapidamente do que quase qualquer evento registrado. A temperatura do oceano na região Niño 3.4 chegou a 1,4 °C acima da média no fim de julho, ante 0,7 °C em 11 de junho — uma velocidade de aquecimento considerada excepcional.
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A Amazônia entra no novo evento ainda debilitada pela seca de 2023–2024. O calor, a estiagem, a queda dos rios e o risco de incêndios podem se agravar, enquanto a mudança climática torna os impactos mais intensos e me...
81% de chance de que o evento seja classificado entre os maiores El Niños do registro histórico desde 1950 .
66% de probabilidade de atingir a categoria de “super El Niño”, definida por um índice Niño 3.4 igual ou superior a 2,0 °C, durante o outono ou o inverno .
23 dos 26 modelos utilizados no consenso de previsão indicam a chegada de um super El Niño até o fim do ano .
Ao analisar 667 simulações de 14 modelos sazonais, o cientista climático Zeke Hausfather descreveu o cenário como um possível “El Niño que quebrará recordes” e afirmou que ele pode se tornar o mais forte já observado “por uma margem realmente impressionante” .
Pesquisadores ouvidos pela revista Nature em 23 de julho disseram que o fenômeno está a caminho de ser o maior em pelo menos 150 anos . Uma análise preventiva do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia também alertou para efeitos em cadeia sobre segurança alimentar, recursos hídricos e riscos de desastres .
2026 será o ano mais quente da história?
O aquecimento provocado pelo El Niño ocorre sobre uma base climática que já é excepcionalmente elevada. Entre janeiro e junho de 2026, a temperatura média global da superfície ficou 1,14 °C acima da referência, o terceiro maior valor em um registro de 177 anos — atrás apenas dos mesmos períodos de 2024 e 2025 .
A questão central é saber se o pico do El Niño ocorrerá cedo o suficiente para elevar a média de todo o ano de 2026 acima do recorde de 2024 ou se o maior impacto será registrado em 2027.
As estimativas variam conforme a base de dados e o método usado:
O Carbon Brief calcula em 35% a chance de 2026 estabelecer um novo recorde anual de temperatura. O aumento da probabilidade em relação a estimativas anteriores foi atribuído quase totalmente ao fortalecimento das previsões para o El Niño .
A equipe de James Hansen, da Universidade Columbia, adota uma previsão mais incisiva e afirma que 2026 está a caminho de ser o ano mais quente do registro instrumental, usando uma abordagem baseada na física do sistema climático .
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima em 86% a chance de pelo menos um dos próximos cinco anos estabelecer um novo recorde global de temperatura. Para a organização, 2027 pode ser o ano de pico, quando o calor completo do El Niño chegar à superfície .
Uma análise anterior do Carbon Brief, mais cautelosa e baseada em cinco conjuntos de dados, apontava 2026 como provavelmente o segundo ano mais quente, com 19% de chance de superar 2024 .
A diferença entre as projeções está principalmente no momento do pico. Se o aquecimento máximo ocorrer no fim de 2026, parte importante de seu efeito pode aparecer na média anual de 2027. Segundo Hausfather, as chances de superar o recorde de 2024 variam de aproximadamente dois terços em conjuntos como os da NASA e da Berkeley Earth para cerca de dois em dez no ERA5 e um em dez na reanálise JRA-3Q .
A Amazônia entra no evento ainda enfraquecida
Entre os riscos mais graves está o impacto sobre a Amazônia. A floresta ainda se recupera da seca de 2023–2024, que provocou calor extremo, níveis historicamente baixos dos rios e aumento dos incêndios.
Um estudo publicado na revista PNAS em abril de 2026 estimou que 53,7% das áreas de floresta intacta afetadas pela seca não terão se recuperado nem sete anos depois. A perda de biomassa reduz a capacidade da floresta de reciclar água e manter seu microclima, o conjunto de condições locais de umidade e temperatura que ajuda a sustentar o ecossistema.
Pesquisas lideradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e publicadas em julho indicam que a Amazônia brasileira já enfrenta estações secas mais longas e mudanças no regime de chuvas que antes eram projetadas apenas para as décadas de 2030 e 2040 . Isso sugere que a resiliência do sistema está diminuindo mais rapidamente do que o esperado.
Durante o El Niño de 2023–2024, as temperaturas na Amazônia chegaram a ficar de 2 °C a 4 °C acima da média histórica da floresta . Um evento ainda mais forte poderia levar algumas áreas a ultrapassar limiares críticos, especialmente o nordeste da Amazônia, o norte do Brasil, a Colômbia e a Venezuela, com maior risco de incêndios e queda acelerada do nível dos rios .
O governo brasileiro ampliou os recursos destinados ao combate a incêndios e contratou um número recorde de brigadistas federais diante da expectativa de uma seca extrema . A organização World Weather Attribution, que reúne pesquisadores de atribuição climática, alertou que 2026 pode registrar “um ano sem precedentes de incêndios globais” devido à combinação entre o El Niño, o calor e a falta de chuva .
O que é responsabilidade do El Niño — e o que vem da mudança climática?
O El Niño é um fenômeno natural e cíclico associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Mas ele não está acontecendo em um clima igual ao do passado: o evento se desenvolve sobre uma linha de base de aproximadamente 1,3 °C de aquecimento provocado pela atividade humana .
Essa combinação faz com que um El Niño de determinada intensidade produza temperaturas globais mais altas do que eventos comparáveis registrados anteriormente. O fenômeno fornece um impulso temporário de calor; o aquecimento causado por décadas de emissões mantém o planeta em um patamar muito mais elevado .
A volta do El Niño apenas três anos depois do evento anterior também é considerada incomum. A equipe de Hansen sugere que o aquecimento do clima pode estar alterando a própria dinâmica do ciclo ENSO, sigla em inglês para a Oscilação Sul-El Niño .
A mudança climática ainda torna os efeitos regionais mais difíceis de prever. Especialistas do Departamento de Meteorologia da Austrália afirmaram em junho que as consequências do El Niño estão ficando “cada vez mais imprevisíveis” porque os padrões tradicionais de conexão entre o Pacífico e o clima de outras regiões estão se enfraquecendo .
Cientistas pedem preparação imediata
A OMM, agências das Nações Unidas e centros de pesquisa vêm defendendo que governos não esperem o pico do fenômeno para agir:
A OMM ativou formalmente os alertas de El Niño em 2 de junho e pediu o fortalecimento dos sistemas de alerta antecipado, além de preparação para temperaturas acima da média em praticamente todo o mundo .
As agências da ONU OCHA, FAO e WFP alertaram que milhões de pessoas já afetadas pela fome, pelo deslocamento e por dificuldades econômicas podem enfrentar um novo choque climático .
O Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia recomendou medidas antecipadas para proteger a segurança alimentar, os recursos hídricos, os sistemas de saúde e a prevenção de desastres .
A NOAA e o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos afirmaram que está aumentando o risco de um evento histórico capaz de intensificar condições meteorológicas extremas, enquanto o tempo para se preparar diminui .
A World Weather Attribution e pesquisadores como Hansen defendem investimentos mais rápidos em adaptação, sobretudo em regiões tropicais expostas simultaneamente a calor, seca e incêndios .
O secretário-geral da ONU, António Guterres, resumiu o alerta em uma frase: “As condições de El Niño vão jogar combustível na fogueira de um mundo em aquecimento. Os impactos serão ainda mais fortes, alcançarão distâncias maiores e atravessarão fronteiras com uma velocidade devastadora” .
O que esperar daqui para frente
O El Niño de 2026 está se fortalecendo mais rapidamente do que quase qualquer evento registrado. As projeções indicam 81% de chance de que ele esteja entre os maiores desde 1950 e apontam uma possibilidade relevante de atingir o nível de super El Niño.
O fenômeno também elevou as chances de que 2026 supere 2024 como o ano mais quente já registrado — de cerca de 35% a 50%, dependendo do modelo — enquanto 2027 aparece como um candidato ainda mais forte ao recorde. Para a Amazônia, o risco é especialmente delicado: a floresta ainda não se recuperou da seca anterior e pode enfrentar uma nova combinação de estiagem, calor, rios baixos e incêndios.
A mensagem comum entre cientistas e organizações internacionais é que a janela de preparação está se fechando. O El Niño pode ser natural, mas os impactos que ele desencadeia agora são amplificados por um planeta já aquecido.
cnn.com
El Niño is coming faster than expected and chances are rising that it will be historically strong