Veio então a reviravolta mais acentuada já registrada. Em 31 de julho, o KOSPI disparou 18% em uma única sessão, depois que o governo sul-coreano anunciou uma injeção de 20 trilhões de wons (US$ 13,9 bilhões) em seu fundo soberano para investimentos estratégicos em IA, data centers e infraestrutura . O New York Times observou que, antes dessa alta, o mercado enfrentava uma desaceleração impulsionada pelo temor de que os mais de US$ 1 trilhão em investimentos globais em IA "haviam sido excessivos"
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Os sinais mistos continuaram em agosto. Em 1º de agosto, a Coreia do Sul informou que as exportações de julho superaram as previsões, com as exportações de semicondutores saltando 179% em relação ao ano anterior, impulsionadas pela demanda global por chips de IA . No entanto, esse dado forte contrastava com o recente pânico no mercado de ações — refletindo um mercado que não consegue decidir se a demanda atual por IA justifica a escala de capital que está sendo comprometida.
Enquanto as ações roubavam as manchetes, os mercados de crédito enviavam um sinal ainda mais alarmante. Os spreads de credit default swap (CDS) de Alphabet, Amazon, Meta e Nvidia atingiram máximas históricas no final de julho, à medida que os investidores se preocupavam mais com a dívida contraída para financiar data centers, chips e modelos avançados . Os preços dos CDS funcionam como um seguro contra calote; spreads mais altos sinalizam uma preocupação crescente com a capacidade de uma empresa gerenciar sua dívida.
O mercado de crédito, e não as avaliações das ações, tornou-se o indicador antecedente do estresse — com os CDS "superando o lucro por ação (EPS)" como a métrica-chave . O CDS de 5 anos da Oracle era cotado a 215 pontos-base no final de julho, o que significa que os investidores precisavam pagar US$ 215 mil anualmente para segurar US$ 10 milhões em dívida contra um possível calote
. Os custos de seguro de crédito das big techs mais que dobraram desde o início de 2025
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A CNBC reportou em 24 e 26 de julho que os spreads de crédito das empresas de tecnologia que lideram a expansão da IA estavam se alargando acentuadamente, com os investidores de renda fixa cada vez mais desconfortáveis com o volume de capital necessário . Os números são impressionantes: a emissão de títulos das hyperscalers atingiu US$ 182 bilhões no primeiro semestre de 2026 — um salto de 1.300% em relação ao ano anterior
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Analistas identificaram uma dinâmica preocupante de "financiamento circular" . O padrão funciona assim: as grandes empresas de tecnologia tomam dinheiro emprestado para comprar chips da Nvidia e construir data centers, que por sua vez alimentam os serviços de IA. Mas a demanda final dos usuários por esses serviços de IA ainda não foi comprovada. Se a confiança nesses retornos diminuir, todo o ciclo pode se desfazer — da Nvidia a todo o setor de nuvem hyperscale
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A preocupação é que os gastos com IA tenham passado de uma aposta especulativa em ações para uma exposição sistêmica de crédito. A própria Fitch nomeou quatro possíveis gatilhos para uma correção: retornos comerciais da IA aquém do esperado, regulamentação mais rígida, competição intensificada e disrupção no mercado de trabalho .
A perspectiva da Fitch colocou o risco de correção da IA no mesmo nível da escalada militar entre EUA e Irã e do potencial bloqueio de Ormuz como as duas maiores ameaças de curto prazo ao crédito global . Um terceiro risco — um El Niño forte — foi citado como um fator de pressão adicional sobre países com classificação de crédito especulativa (junk)
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Os alertas não foram isolados. O Banco de Compensações Internacionais (BIS), em seu relatório anual de junho de 2026, sinalizou a sustentabilidade dos investimentos relacionados à IA como um ponto crítico de pressão nas condições financeiras globais . A Man Group, em sua Perspectiva de Crédito para o 2º semestre de 2026 (9 de julho), observou que os mercados de crédito "já estavam sentindo o peso" da oferta de títulos das hyperscalers, com o aumento das emissões e a queda dos índices de cobertura de juros provavelmente impulsionando um novo alargamento dos spreads
. A Allianz Research (8 de julho) observou que, embora a IA esteja sustentando o crescimento global e compensando os impactos negativos dos choques energéticos e da guerra comercial, o aumento da emissão de títulos relacionados à IA e a deterioração dos índices de cobertura de juros provavelmente levarão a um "leve alargamento dos spreads" e a um aumento de 4% nas falências globais em 2026
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A preocupação central — resumida na frase da Fitch de que os gastos com IA estão "correndo à frente de retornos futuros incertos" — saiu do debate do mercado de ações e se tornou uma realidade no mercado de crédito. Em questão de dias, no final de julho de 2026, os investidores viram o principal índice da Coreia do Sul oscilar mais de um terço, os spreads de CDS das maiores empresas de tecnologia do mundo atingirem máximas históricas e um mercado global de títulos começar a precificar o risco da dívida de IA com seriedade.
A pergunta de um trilhão de dólares — se os gastos com infraestrutura de IA gerarão retornos que justifiquem seu custo — permanece sem resposta. O que mudou em julho de 2026 é que o mercado começou a exigir uma resposta.