Utilização recorde fora das zonas de conflito. A Saudi Aramco alertou em agosto de 2026 que as refinarias fora das áreas de guerra ativas estão operando em sua capacidade máxima, sem praticamente nenhum 'amortecedor' no sistema para proteger contra preços mais altos dos combustíveis . A crise forçou essas plantas a operar em seus limites absolutos, tornando todo o sistema frágil.
Cerca de 5 milhões de bpd de capacidade de refino foram perdidos. A guerra no Irã — que desencadeou o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz em 28 de fevereiro de 2026 — e o conflito contínuo entre Rússia e Ucrânia removeram juntos mais de 5 milhões de barris por dia (bpd) da capacidade global de refino . A trading de energia Vitol confirmou que aproximadamente 3 milhões de bpd de capacidade no Golfo do Oriente Médio saíram de operação, enquanto outros 2 milhões de bpd foram perdidos devido a ataques ucranianos a refinarias russas e outras interrupções . Em maio de 2026, quase 9% da capacidade mundial de refino estava inativa . A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que a média de processamento global nas refinarias foi de apenas 78 milhões de bpd no 2º trimestre de 2026 — cerca de 5 milhões de bpd abaixo do normal .
Lucros recordes no downstream para as grandes petrolíferas. A escassez de oferta gerou lucros extraordinários:
Somadas, Chevron, ExxonMobil e Shell embolsaram, em média, cerca de US$ 404 milhões em lucros a cada dia nos últimos três meses do 2º trimestre de 2026 .
Perspectiva frágil — lucros impulsionados pela guerra, não por fundamentos. A Reuters intitulou sua análise: "Guerra no Irã inaugura era de ouro do refino de petróleo. Não vai durar" . As margens recordes são consequência direta da destruição da oferta causada pela guerra: o fechamento do Estreito de Ormuz, ataques diretos a refinarias no Oriente Médio e ataques de drones ucranianos a plantas de processamento russas . A Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) estima que levará até o final de 2026 ou início de 2027 para que os padrões de produção e comércio anteriores ao conflito sejam retomados . A AIE alertou que a produção global de petróleo cairia 3,9 milhões de bpd em 2026 apenas devido ao conflito . Analistas de todo o espectro enfatizam que esses lucros são temporários e não refletem a saúde estrutural do setor.
Reação política e múltiplas investigações. O aumento dos preços dos combustíveis desencadeou uma resposta política agressiva:
O alerta estrutural da Aramco. Além das perdas imediatas causadas pela guerra, o vice-presidente de análise de mercado e sustentabilidade da Saudi Aramco, Musaab Al Mulla, alertou em junho de 2026 que o setor de refino sofreu com subinvestimento crônico por anos, com cerca de 3 milhões de bpd de capacidade já perdidos entre 2020 e 2023 devido à falta de novos projetos — mesmo antes dos conflitos recentes . "Agora percebemos que ter essas refinarias poderia ter aliviado significativamente os efeitos da crise atual", disse Al Mulla na Conferência S&P Global Energy Middle East Petroleum and Gas, em Londres . Esse déficit estrutural significa que o sistema não tem amortecedor, mesmo quando a paz finalmente retornar.
A crise do refino se traduz diretamente em dor no bolso na hora de abastecer. A produção de diesel e querosene de aviação na Ásia deve cair pelo menos 1 milhão de bpd apenas em abril de 2026, à medida que as refinarias processam petróleo bruto mais leve devido às restrições de oferta . Os estoques de gasolina estão próximos de mínimas de vários anos nas principais regiões consumidoras . Mesmo uma recuperação parcial na produção de petróleo bruto — que melhorou ligeiramente após janelas temporárias de exportação no Golfo — não aliviou o gargalo do refino, porque as próprias plantas estão danificadas, paradas ou incapazes de acessar seus tipos habituais de petróleo bruto. A EIA projeta que levará até o início de 2027 para que os padrões normais de comércio sejam retomados, o que significa que os preços elevados dos combustíveis provavelmente persistirão .