A TSMC elevou a meta de produção mensal de sua família de processos de 3 nm, que inclui variantes como N3 e N3E, de 150 mil para 180 mil inícios de wafer por mês. Isso representa um aumento de 20% em relação ao plano original .
A expectativa é que a marca de 180 mil wafers mensais seja alcançada no início do quarto trimestre de 2026, cerca de dois a três meses antes do que o mercado projetava . Em comparação com 2025, a expansão equivale a um crescimento anual superior a 40% na capacidade .
A aceleração ocorre em meio a pedidos fortes de NVIDIA, AMD e Broadcom, além da demanda contínua da Apple . A consultoria Omdia afirma que as capacidades de 2 nm e 3 nm da TSMC estão amplamente reservadas por líderes de IA como NVIDIA, AMD, Broadcom e Apple .
O custo também reflete a escassez. Os wafers de 3 nm N3/N3E eram cotados em aproximadamente US$ 19.500 no início de 2026, enquanto os prazos de entrega superavam 50 semanas .
O processo de 2 nm, chamado N2, entrou em produção em massa no quarto trimestre de 2025. A tecnologia substitui a arquitetura FinFET por transistores nanosheet, também conhecidos como GAA, ou gate-all-around — uma estrutura que envolve melhor o canal do transistor e pode contribuir para ganhos de eficiência e desempenho .
Para o fim de 2026, a TSMC mira uma capacidade de 100 mil inícios de wafer por mês . A companhia prevê que sua capacidade de 2 nm cresça a uma taxa composta anual de 70% entre 2026 e 2028 .
A AMD pretende iniciar em 2026 a produção de CPUs baseadas em 2 nm. Google e AWS também são apontadas como possíveis adotantes iniciais, enquanto a NVIDIA deve migrar parte relevante de seus pedidos de aceleradores de IA para o 2 nm quando houver volume suficiente .
Segundo as informações disponíveis, a curva inicial de aprendizado de rendimento do N2 está apresentando desempenho melhor que o 3 nm no mesmo estágio de desenvolvimento . Em termos práticos, isso significa que a TSMC estaria conseguindo transformar uma parcela maior dos chips produzidos em unidades comercialmente aproveitáveis durante a fase de ramp-up.
A TSMC pode ter até dez fábricas em construção ou entrando em fase de início de obras em 2026, distribuídas pelos parques científicos do norte, centro e sul de Taiwan .
Cinco fábricas de 2 nm avançam simultaneamente neste ano: duas em Hsinchu, associadas à Fab 20, e três em Kaohsiung, ligadas à Fab 22. Trata-se do maior esforço de expansão concentrado em um único nó tecnológico na história da empresa .
A companhia também praticamente dobrou seu ritmo histórico de construção. Em 2025 e 2026, está construindo ou convertendo nove fases de fábricas por ano, ante uma média histórica de quatro .
Em julho de 2026, a TSMC anunciou mais US$ 100 bilhões em investimentos no Arizona, elevando para US$ 265 bilhões o total planejado para o estado . O pacote inclui novas fábricas de wafers e instalações de empacotamento avançado, etapa essencial para chips de IA com múltiplos componentes.
A empresa também concluiu a aquisição de um segundo terreno no Arizona para formar um cluster independente de grandes fábricas, descrito como uma “gigafab cluster” . A expansão, contudo, ainda enfrenta desafios como a escassez de trabalhadores da construção civil no estado .
Em fevereiro de 2026, a TSMC anunciou planos para fabricar chips de 3 nm em Kumamoto, no sul do Japão. O investimento foi estimado em aproximadamente US$ 17 bilhões . A iniciativa amplia a presença internacional da empresa e busca atender à demanda crescente por chips avançados, inclusive para aplicações de IA.
Enquanto acelera o 3 nm e o 2 nm, a TSMC prepara sua próxima geração de fabricação, conhecida como A14 ou 1,4 nm, no Taichung Science Park, na região central de Taiwan.
A construção está adiantada. A primeira edificação da instalação, correspondente à fase 1, deve ser concluída antes de abril de 2027 . Caso o ritmo atual continue, a produção de testes poderá começar já no terceiro trimestre de 2027 .
A produção em massa é esperada para meados de 2028, no segundo semestre do ano, com investimento estimado entre US$ 48,5 bilhões e US$ 49 bilhões .
O A14 deverá usar transistores GAAFET de segunda geração, chamados NanoFlex Pro, com a litografia EUV atualmente disponível. A TSMC informou à ASML que não pretende adotar a litografia High-NA EUV antes de 2029 .
O interesse de clientes é forte, incluindo Apple, Qualcomm, NVIDIA, AMD e empresas dos segmentos de IA e computação de alto desempenho. A validação interna do A14 já estaria próxima de 90% da meta . Depois do A14, a TSMC espera colocar os processos A13 e A12 em produção em massa em 2029 .
A principal mudança no cronograma da TSMC é a simultaneidade: a empresa está ampliando o 3 nm enquanto coloca o 2 nm em escala e constrói a infraestrutura necessária para processos ainda mais avançados. A meta de 180 mil wafers mensais de 3 nm e a aproximação de 100 mil wafers mensais de 2 nm mostram a dimensão do esforço.
Mesmo com a expansão, a capacidade deve continuar disputada. A demanda de grandes empresas de tecnologia, especialmente por processadores e aceleradores de IA, mantém as linhas avançadas lotadas e pressiona a TSMC a antecipar obras, equipamentos e cronogramas em várias regiões do mundo.