Os algoritmos, por outro lado, são as "cordilheiras irregulares" — o território dinâmico e a fronteira onde a China já se vê como líder . As questões de privacidade, justiça e consciência das máquinas, relegadas às margens como "ilhas desconhecidas", indicam que Pequim ainda não codificou sua posição sobre esses temas, mas sinaliza que está ativamente explorando essas águas — com a intenção de ser o poder que as mapeará para o resto do planeta
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O novo manual do soft power
Essa abordagem faz parte de uma virada estratégica mais ampla de Pequim, que está reescrevendo o manual tradicional do "soft power" para a era da IA . Enquanto os Estados Unidos historicamente exerceram influência por meio de cultura, entretenimento e valores democráticos, a China aposta no controle da infraestrutura e da narrativa tecnológica.
Os pilares dessa nova estratégia incluem:
Domínio da narrativa de governança global: O presidente Xi Jinping pediu publicamente um esforço global intensificado em IA, alertando contra o domínio de um único país . A mensagem é clara: a China se posiciona como um stakeholder responsável que busca regras inclusivas, não um hegemônio tecnológico unilateral.
Abertura seletiva: A China promove seus modelos de IA de peso aberto (open-weight) e um ecossistema colaborativo . No entanto, grupos consultivos do Congresso dos EUA que visitaram o país descobriram que as principais empresas de tecnologia chinesas se recusaram a conceder entrevistas, estreitando os canais de contato direto com pesquisadores e criando o que alguns avaliam como uma "cortina de ferro" entre os ecossistemas de IA dos dois países
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Mensagens territoriais e industriais: O mapa em si é uma declaração geopolítica. Ao retratar o chip da Huawei como um gargalo geográfico, a obra sugere que o desenvolvimento de toda a IA chinesa passa pelo controle doméstico dos semicondutores, reforçando a imagem de um ecossistema autossuficiente e estrategicamente planejado .
Ética como fronteira a ser conquistada: Ao deixar as questões de privacidade, justiça e consciência como "ilhas desconhecidas", o mapa indica que a China ainda não tem uma posição fechada sobre esses temas — mas que pretende ser o país a traçar as rotas e definir os contornos desse novo território para o mundo .
Um símbolo de ambição
Em suma, o mapa de tinta nanquim funciona como um verdadeiro emblema de soft power. Ele apresenta o ecossistema de IA da China como maduro, autossuficiente e geograficamente inevitável, enquanto sinaliza que o prêmio final não é a tecnologia em si, mas o poder de ditar as regras, enquadrar a ética e definir a agenda global .
A visita aos laboratórios de Xangai não foi apenas uma demonstração de capacidades técnicas; foi uma aula de como Pequim pretende usar a IA para moldar o futuro das relações internacionais, um traço de nanquim de cada vez.