Esse avanço, porém, esconde uma retração significativa nas vendas unitárias. Os envios globais caíram 11%, atingindo o menor nível para um segundo trimestre desde 2013. A principal causa foi uma escassez prolongada de memória DRAM e NAND, que elevou os preços dos aparelhos e reduziu a demanda .
Como consequência, o preço médio de venda dos smartphones subiu 17%, para US$ 400 . Em outras palavras, o mercado movimentou mais dinheiro vendendo menos telefones — um reflexo da alta de preços e do peso crescente dos modelos mais sofisticados.
A receita de smartphones da Apple cresceu 22% na comparação anual, o ritmo mais rápido entre as cinco maiores marcas . O preço médio de venda da empresa aumentou 8%, chegando a US$ 946, impulsionado pela procura contínua pela linha iPhone 17, especialmente pelo modelo básico e pelo iPhone 17 Pro Max .
A participação da Apple na receita global passou de 44% no mesmo trimestre de 2025 para 49% no segundo trimestre de 2026 — um salto de cinco pontos percentuais .
Para Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint, o desempenho foi sustentado pela demanda pelo iPhone 17 e pela decisão da Apple de manter os preços relativamente estáveis enquanto concorrentes Android precisaram reajustá-los .
Essa diferença foi particularmente importante na China, onde o aumento dos custos de memória reduziu a vantagem de preço dos aparelhos Android mais acessíveis . Ao evitar aumentos no iPhone durante o trimestre, a Apple preservou sua proposta de valor em um momento de forte pressão sobre toda a cadeia.
A escassez de memória atingiu principalmente as fabricantes Android. O aumento dos custos de componentes obrigou a maioria delas a elevar os preços, prejudicando a demanda justamente nos segmentos mais sensíveis ao preço .
Samsung: foi a única marca Android a registrar crescimento simultâneo de receita e envios. A empresa manteve a segunda posição, com 16% da receita global. Tanto a receita quanto os envios cresceram 9%, enquanto o preço médio ficou praticamente estável em US$ 270. A Counterpoint atribuiu parte dessa resistência à integração vertical da Samsung e ao maior controle sobre o fornecimento de componentes. A linha Galaxy A impulsionou o volume, e a série Galaxy S26 reforçou a atuação no segmento premium .
Xiaomi: teve a maior queda nos envios entre as cinco principais marcas, de 26% na comparação anual. A receita recuou 17%, mesmo com alta de 13% no preço médio de venda — sinal de que aparelhos mais caros não compensaram a perda de volume .
OPPO: registrou queda de 10% na receita anual .
vivo: teve redução de 11% na receita, seguindo o mesmo padrão de preços mais altos que não foram suficientes para compensar a diminuição dos envios .
A conclusão da Counterpoint é direta: os números “mostram os limites de depender de preços mais altos em partes do mercado sensíveis aos custos” .
Em um cenário aparentemente contraditório, a própria Apple alertou que poderá ter dificuldades para atender à demanda nos próximos meses. Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, realizada em 30 de julho, o CEO Tim Cook afirmou que as restrições de oferta vão “aumentar significativamente” no trimestre encerrado em setembro e afetarão iPhone, iPad e Mac .
Cook apontou gargalos na fabricação de chips avançados como a principal limitação e disse que a Apple está operando com “menos flexibilidade na cadeia de suprimentos do que o normal” . A demanda por Macs e iPhones já superava a oferta. A empresa havia aumentado os preços de Macs e iPads por causa da crise dos chips de memória, mas até então havia poupado o iPhone .
Na ligação com analistas, Cook descreveu o cenário como “uma enchente de cem anos nos preços da memória” — uma referência à dimensão excepcional do aumento de custos . As ações da Apple caíram 7,3% no dia seguinte ao alerta .
A Counterpoint prevê que a alta dos custos de DRAM e NAND continuará pressionando os preços dos smartphones. A consultoria também espera “quedas mais acentuadas nos envios no segundo semestre de 2026” .
A empresa de pesquisa ainda projeta que a Apple poderá aumentar os preços do iPhone nos próximos trimestres caso a escassez de memória persista — algo que a companhia evitou em grande parte durante o segundo trimestre .
Há uma ressalva importante nos dados da Counterpoint. A estimativa preliminar mais recente aponta crescimento de 13% nos envios do iPhone no segundo trimestre de 2026, mas uma estimativa divulgada anteriormente, em 13 de julho, indicava alta de apenas 3% .
A consultoria não explicou se a diferença resulta de uma revisão dos dados ou de uma mudança de metodologia. Por isso, o número de 13% ainda deve ser tratado com cautela.