O urânio escondido no cobalto: a brecha nuclear criada pelo boom da mineração na RDC
Estudo de pesquisadores de Princeton e da Universidade de Wisconsin–Madison, publicado em 30 de julho de 2026 na Nature Communications, estima que 2 mil a 5 mil toneladas de urânio natural foram exportadas da RDC entr... A quantidade poderia gerar material físsil suficiente para cerca de 600 a 1.500 armas nucleares...
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Estudo de pesquisadores de Princeton e da Universidade de Wisconsin–Madison, publicado em 30 de julho de 2026 na Nature Communications, estima que 2 mil a 5 mil toneladas de urânio natural foram exportadas da RDC entr...
A quantidade poderia gerar material físsil suficiente para cerca de 600 a 1.500 armas nucleares ou abastecer um reator nuclear convencional de água leve por 10 a 25 anos.
Outras 1 mil a 4 mil toneladas de urânio podem ter sido descartadas em rejeitos de mineração, com riscos de contaminação ambiental e exposição para trabalhadores e comunidades próximas.
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Um estudo publicado em 30 de julho de 2026 na revista Nature Communications identificou uma importante brecha no controle internacional de materiais nucleares: grandes quantidades de urânio podem ter sido extraídas e exportadas da República Democrática do Congo (RDC) misturadas à cadeia de produção de cobalto. A maior parte desse material não teria sido declarada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), segundo os pesquisadores .
A pesquisa foi conduzida por Ryan Manzuk, pesquisador de pós-doutorado do Programa de Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton, e Sébastien Philippe, professor assistente de engenharia nuclear e física de engenharia na Universidade de Wisconsin–Madison . O levantamento chama atenção porque a RDC não registra oficialmente produção de urânio há décadas, embora seus minérios de cobalto possam conter o elemento.
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Estudo de pesquisadores de Princeton e da Universidade de Wisconsin–Madison, publicado em 30 de julho de 2026 na Nature Communications, estima que 2 mil a 5 mil toneladas de urânio natural foram exportadas da RDC entr... A quantidade poderia gerar material físsil suficiente para cerca de 600 a 1.500 armas nucleares ou abastecer um reator nuclear convencional de água leve por 10 a 25 anos.
O que devo fazer a seguir na prática?
Outras 1 mil a 4 mil toneladas de urânio podem ter sido descartadas em rejeitos de mineração, com riscos de contaminação ambiental e exposição para trabalhadores e comunidades próximas.
Os pesquisadores estimam que entre 2 mil e 5 mil toneladas de urânio natural tenham saído da RDC incorporadas a remessas de hidróxido de cobalto entre 2000 e 2024 .
De acordo com o estudo, esse volume seria suficiente para produzir material físsil para aproximadamente 600 a 1.500 armas nucleares — caso o urânio fosse posteriormente processado e enriquecido — ou para abastecer um reator nuclear padrão de água leve por 10 a 25 anos.
Menos de 10% desse material parece ter sido declarado publicamente e colocado sob as salvaguardas da AIEA, sistema internacional criado para verificar se materiais nucleares são usados para fins pacíficos . A maior parte das remessas teria seguido para a China, onde estão concentradas cerca de 95% das refinarias de cobalto do mundo .
Os autores ressaltam que não encontraram evidências de que o urânio tenha sido exportado deliberadamente para a fabricação de armas. O problema, segundo eles, é que a falta de declaração deixa o material sem restrições formais quanto ao seu destino final .
Como o urânio foi parar na cadeia do cobalto?
O urânio e o cobalto podem ocorrer juntos em determinados depósitos minerais. Quando o minério é extraído e processado sem que o urânio seja separado, parte dele pode permanecer no hidróxido de cobalto — um produto intermediário exportado para posterior refino.
Para rastrear esse caminho, a equipe combinou dados sobre a distribuição de minerais, informações geoquímicas, registros de comércio por mina e modelos químicos do processamento do cobalto . O trabalho também se baseia em uma pesquisa apresentada por Manzuk em Princeton em outubro de 2025, que já apontava a possibilidade de uma rota indireta e pouco estudada para a saída de urânio da RDC .
Rejeitos de mineração ampliam o risco ambiental
Além do material exportado, o estudo estima que entre 1 mil e 4 mil toneladas de urânio tenham sido descartadas em rejeitos de mineração — os resíduos gerados durante a extração e o processamento do minério .
O urânio estaria presente em formas quimicamente móveis, capazes de se deslocar com a água da chuva ou com o lençol freático. Isso pode elevar o risco de contaminação do solo e da água, além da inalação de poeira radioativa por trabalhadores e moradores de áreas próximas às minas .
A exposição prolongada a doses baixas de radiação e a inalação de radônio, um gás que pode ser produzido por materiais radioativos, estão associadas ao aumento do risco de câncer e a outros problemas de saúde . Autoridades congolesas buscam financiamento internacional para instalar detectores de radiação em caminhões que deixam o país .
Por que a descoberta preocupa a segurança internacional?
Como o urânio não teria sido declarado oficialmente à AIEA, não há acompanhamento internacional suficiente sobre sua quantidade, movimentação ou destino. Os pesquisadores alertam que esse material poderia entrar em um programa nuclear civil ou militar sem supervisão adequada .
Isso não significa que o urânio identificado já tenha sido convertido em armas ou que exista evidência de um programa militar associado às exportações. A preocupação está na dimensão do material potencialmente fora dos mecanismos tradicionais de controle e na dificuldade de reconstruir sua trajetória depois que ele é incorporado a uma cadeia global de minérios.
O que os pesquisadores recomendam?
O estudo aponta medidas consideradas urgentes :
realizar uma auditoria nacional abrangente da mineração na RDC;
criar regras para separar o urânio da cadeia de produção e exportação do cobalto;
medir sistematicamente o teor de urânio nas remessas de hidróxido de cobalto;
monitorar a exposição à radiação entre trabalhadores;
estabelecer mecanismos de fiscalização para garantir uma mineração ambientalmente responsável;
melhorar, como primeiro passo, o registro da extração e do transporte de urânio;
no longo prazo, refinar o cobalto dentro da RDC até a forma metálica, em vez de exportar hidróxido de cobalto bruto.
“Com base no que encontramos, é necessário realizar uma auditoria nacional abrangente da mineração na RDC e criar novas regras para separar o urânio da cadeia de produção do cobalto”, afirmou Philippe em comunicado da Universidade de Wisconsin–Madison .
A investigação reuniu pesquisadores das universidades de Wisconsin–Madison e Princeton com jornalistas investigativos da Lighthouse Reports e do Financial Times.
interestingengineering.com
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