Os gastos federais dispararam 17% na comparação anual nos primeiros cinco meses de 2026, produzindo o maior buraco orçamentário desde pelo menos 1996 . O déficit já havia ultrapassado a meta anual inteira em abril, chegando a US$ 78,9 bilhões (2,5% do PIB) em apenas quatro meses . Os gastos militares continuam subindo muito acima dos planos iniciais: o Serviço de Inteligência Estrangeiro da Ucrânia estima que os gastos extras relacionados à guerra já somam US$ 51,3 bilhões . Só no primeiro trimestre de 2026, o gasto militar russo atingiu 5,9 trilhões de rublos, 30% a mais que no mesmo período de 2025 .
Com as vendas de títulos no mercado abertas fracassando, o Ministério das Finanças está forçando os bancos controlados pelo Estado a comprar os novos títulos públicos (chamados OFZ). O Banco Central então fornece liquidez a esses bancos, criando efetivamente novos rublos para cobrir o déficit . A inteligência ucraniana descreve isso como "emissão oculta de rublos" — o Ministério das Finanças emite títulos, bancos estatais os compram e o Banco Central fornece o dinheiro, o que é funcionalmente equivalente a imprimir dinheiro . Esse mecanismo é agora o principal canal para cobrir o crescente rombo de caixa .
O Ministério das Finanças suspendeu todos os leilões regulares de títulos públicos por tempo indeterminado em 20 de julho de 2026, após quatro ofertas consecutivas fracassarem . Dois leilões foram cancelados, um fracassou totalmente e a única venda bem-sucedida levantou apenas 9 bilhões de rublos (US$ 116 milhões) — contra uma meta trimestral de captação de 1,5 trilhão de rublos (US$ 19,35 bilhões) . Os investidores estavam exigindo rendimentos acima de 16% nos títulos de longo prazo — níveis que o ministério considerou insustentáveis . O índice de títulos do governo RGBI caiu de cerca de 119 para aproximadamente 110, a menor marca de 2026 . Foi a primeira moratória de leilões desde o congelamento de março a setembro de 2022 .
A lei orçamentária da Rússia adia indefinidamente a "regra fiscal de déficit zero". O presidente Putin determinou que os gastos relacionados à guerra tenham prioridade pelo menos até 2029, atropelando os planos de consolidação fiscal do período pré-guerra . As próprias projeções do Banco Central já incorporam um déficit estrutural primário de 2% do PIB para 2026, 1% para 2027 e 0,5% para 2028 — um reconhecimento explícito de que o orçamento continuará profundamente no vermelho por anos .
O crescimento econômico está desacelerando sob o peso combinado de sanções, inflação e a drenagem de recursos para o setor militar. O governo está revisando cortes de gastos em áreas não ligadas à defesa . Pela primeira vez desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, o orçamento de 2026 incluiu uma redução no financiamento de programas nacionais de tecnologia e desenvolvimento, já que o Kremlin prioriza os gastos militares em detrimento de investimento e inovação .
Cortado dos mercados internacionais de capital, a Rússia depende quase inteiramente de um sistema financeiro doméstico sob pressão. A combinação de sanções ocidentais, fuga de capitais, a reversão da inflação no meio de 2026 e o colapso das expectativas de novos cortes na taxa de juros pelo Banco Central provocaram uma liquidação em massa dos títulos do governo, agravando a crise de financiamento . O Hudson Institute descreve as "impressoras de dinheiro da Rússia funcionando a toda velocidade" como o único suporte que resta .
Conclusão: O déficit de 2026 da Rússia não é um deslize fiscal temporário — é o produto de uma armadilha estrutural. Os gastos de guerra estão subindo mais rápido do que as receitas estão caindo, o mercado de títulos travou e o governo foi empurrado para um financiamento monetário encoberto que alimenta a inflação e mina o rublo, sem nenhum plano crível de retorno à disciplina fiscal antes de 2029, no mínimo.