Abaixo, um resumo completo dos resultados, das estratégias e do que esperar daqui para frente.
Enquanto a Gucci passava pelo pior, as joias da Kering viraram o ponto de luz no portfólio . As casas Boucheron, Pomellato, DoDo e Qeelin vêm entregando crescimento de dois dígitos desde o 3º tri de 2025, mesmo quando o grupo ainda encolhia .
Em março de 2026, a Kering reagrupou essas marcas sob o guarda-chuva Kering Jewelry, separando-as da divisão genérica "Outras Casas" e elevando o segmento a pilar estratégico de crescimento . Boucheron, em especial, abriu uma flagship na costa oeste dos EUA e lançou coleções de alta joalheria que fizeram sucesso .
No primeiro semestre de 2026, as joias continuaram superando o restante do grupo, embora os números exatos do segmento no 2º tri estejam embutidos nos relatórios divisionais agregados .
Em outubro de 2025, a Kering vendeu sua divisão de beleza (incluindo a marca de perfumes Creed) para a L'Oréal por €4 bilhões (US$ 4,66 bilhões) . O movimento foi a peça central da estratégia de Luca de Meo para cortar a dívida e focar no core business de luxo .
O resultado foi imediato: em 30 de junho de 2026, a dívida líquida estava em €3,3 bilhões — uma redução de €4,7 bilhões em relação a dezembro de 2025. O caixa subiu para €8,5 bilhões, impulsionado pelos €4 bilhões da venda .
O fluxo de caixa livre operacional do semestre foi de €2,6 bilhões, incluindo €497 milhões de vendas de imóveis . A Kering também pagou dividendos e manteve reforço de capital .
De Meo, que assumiu o comando em setembro de 2025, definiu um tripé: reviver a Gucci com novos designs e direção criativa; cortar custos e dívidas com vendas de ativos (Beauté e imóveis); e transformar as joias em um segmento de alto crescimento .
O 2º tri de 2026 é a primeira evidência concreta de que a estratégia está funcionando. A queda da Gucci foi de -8% no 1º tri de 2026 para -2% no 2º tri — uma clara desaceleração na trajetória de declínio . As ações da Kering dispararam cerca de 10% na sequência .
A empresa afirma esperar "melhora contínua" no segundo semestre, mas os riscos permanecem: tensões geopolíticas (impacto do conflito no Irã no consumo europeu), demanda ainda irregular na China e a necessidade de sustentar o momentum de produto na Gucci além do ciclo inicial de novas bolsas .
No entanto, com a dívida sob controle e a Gucci mostrando sinais de vida, a Kering parece ter saído do vermelho para um tom de cinza otimista.