Andrea Pirlo era o nome praticamente certo de Maldini e Leonardo para o cargo. A imprensa italiana já tratava a nomeação como certa, com o jornalista Fabrizio Romano chegando a noticiar que Pirlo havia aceitado uma proposta verbal da FIGC .
Mas havia um problema: em outubro de 2025, enquanto treinava o FC United, em Dubai, Pirlo tornou-se embaixador global da Fonbet, uma das maiores casas de apostas esportivas da Rússia . O timing e a natureza da parceria se tornaram o centro da discórdia.
Quando sua candidatura veio a público, políticos italianos e membros da FIGC levantaram sérias objeções éticas e políticas. A ideia de ter um técnico da seleção nacional ligado a uma empresa russa de apostas, em meio à guerra na Ucrânia, era vista como inaceitável . A situação piorou quando se descobriu que a Fonbet patrocinava eventos envolvendo veteranos da guerra na Ucrânia
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A pressão foi tamanha que, no dia 26 de julho, Pirlo foi informado de que “não estava mais sendo considerado” . Ele tentou se defender, dizendo que a parceria era puramente comercial e que cumpria a lei, mas a resistência foi insuperável
. Em um post no Instagram, Pirlo escreveu: “Fiquei sabendo ontem à noite que não sou mais candidato à seleção italiana... Sempre realizei meu trabalho com seriedade e profissionalismo”
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O episódio escancarou como o futebol europeu está cada vez mais suscetível a fatores extra-campo – geopolítica, ética comercial e risco de imagem. A decisão da FIGC de bloquear Pirlo, embora firme, implodiu a frágil aliança que havia trazido Maldini e Leonardo para a federação.
Com Maldini e Leonardo fora, Pirlo descartado e Pep Guardiola já tendo dito não ao cargo, a FIGC precisava de uma solução rápida . A federação já vinha de um desgaste enorme com a renúncia de Gennaro Gattuso em abril, após a derrota para a Bósnia nas eliminatórias da Copa
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No dia 28 de julho de 2026, em uma reunião do Conselho Federal da FIGC, o presidente Giovanni Malagò anunciou: “Eu escolhi Roberto Mancini como técnico da seleção” . Mancini, que levou a Itália ao título da Eurocopa em 2021, retorna para uma segunda passagem, com a missão de reconstruir a Azzurra após o fracasso do projeto Pirlo-Maldini
. “O tempo estava acabando”, disse Malagò em entrevista coletiva. “Considerei que a pessoa que deveria ser o técnico da seleção italiana era Roberto Mancini, por uma série de razões, pelas quais assumo a responsabilidade”
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Ao mesmo tempo, o veterano técnico Claudio Ranieri, o herói do título do Leicester City em 2016, foi anunciado como o novo diretor técnico, substituindo Paolo Maldini . Malagò confirmou a nomeação de Ranieri, afirmando: “A pessoa com quem compartilho essa visão é Claudio Ranieri, que há alguns minutos garantiu que aceitaria o cargo”
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O colapso do projeto Maldini-Leonardo representa um duro golpe nas tentativas de reerguer o futebol italiano. A Azzurra, tetracampeã mundial, não se classifica para uma Copa do Mundo desde 2014 (perdendo as edições de 2018, 2022 e 2026). É um período de fracasso sem precedentes .
A decisão de vetar Pirlo, embora politicamente prudente, afastou duas das figuras mais respeitadas do futebol italiano e desestabilizou ainda mais a federação. O retorno de Mancini oferece uma medida de continuidade e uma ligação com o sucesso mais recente (a Euro 2020). Ele herda um elenco que, embora talentoso, tem consistentemente ficado aquém nas campanhas de qualificação. A parceria com Ranieri, um técnico e diretor extremamente experiente, pode abrir um caminho para a estabilidade, mas o desafio central continua: construir um time capaz de competir no mais alto nível após uma geração de fracassos.