O projeto é uma joint venture 50/50 entre a operadora Eni e a TotalEnergies . A produção total de GNL, estimada em 2,8 milhões de toneladas por ano (Mtpa), será comercializada igualmente entre as duas companhias – 1,4 Mtpa cada .
O campo Cronos contém mais de 3 trilhões de pés cúbicos (Tcf) de gás in place . Estimativas anteriores do governo cipriota apontavam para cerca de 3,1 Tcf .
O gás de Cronos será enviado por gasoduto submarino até a infraestrutura existente de liquefação e exportação de GNL no Egito . O caminho escolhido evita a construção de novas plantas de liquefação (greenfield) e aproveita a capacidade ociosa das plantas egípcias, acelerando o cronograma .
Em fevereiro de 2025, as parceiras assinaram um Acordo Governamental de Hospedagem (HGA) com Chipre e Egito, definindo o marco comercial para o transporte, processamento e exportação transfronteiriços . Em outubro de 2025, acordos operacionais e comerciais adicionais foram firmados entre os dois países para o tratamento e liquefação do gás do Bloco 6 .
A decisão chega em meio a um momento de forte estresse no mercado de gás europeu. O conflito com o Irã interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz desde o início de 2026 – por onde passa cerca de 20% do GNL mundial. Com isso, os estoques de gás da Europa terminaram a estação de aquecimento no nível mais baixo em cinco anos, exigindo cerca de 180 carregamentos adicionais de GNL na comparação anual para reabastecimento .
Em maio, a Equinor alertou que, se as interrupções em Ormuz persistirem por 1 a 3 meses, a Europa pode enfrentar um déficit grave no suprimento de gás . Em meados de 2026, os estoques da UE estavam em pouco mais de 35% da capacidade – bem abaixo da média pré-crise . A Comissão Europeia disse que atingir 80% de armazenamento até novembro seria suficiente para o inverno, mas isso depende da disponibilidade de GNL .
Apesar da situação delicada, o Grupo de Coordenação de Gás da UE afirmou repetidamente que não há risco imediato de desabastecimento para o próximo inverno, em parte graças à nova capacidade de regaseificação instalada desde 2022 . A margem de segurança, no entanto, é apertada.
O FID era esperado inicialmente para o final de março de 2026, conforme o próprio ministro da Energia cipriota, Michael Damianos, havia confirmado ao parlamento em fevereiro . A decisão escorregou de março para julho, gerando frustração visível em Nicósia. Uma cúpula entre o presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, e o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, em março, projetou unidade, mas foi ofuscada pela paralisia da Eni . O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, disse que a FID estava sendo "trabalhada duro" para o fim de julho – e ela veio exatamente no último dia da janela .
Os motivos do atraso não foram atribuídos publicamente a um fator único, mas provavelmente refletem a complexidade do acordo trilateral com o Egito, o fechamento dos termos comerciais para o uso de terceiros na planta de liquefação e a alocação interna de capital das sócias em meio à volatilidade global.
O FID de Cronos é significativo porque (1) viabiliza a primeira descoberta de gás offshore de Chipre após anos de exploração ; (2) cria uma nova fonte de GNL geograficamente diversificada para a Europa em um momento em que a crise do Irã e de Ormuz apertou a oferta global ; (3) fortalece o eixo energético do Mediterrâneo Oriental – a produção cipriota escoando por terminais egípcios ata o futuro energético dos dois países ; e (4) abre caminho para o desenvolvimento de outras descobertas na região (como o campo maior de Glauco) que poderão usar a mesma rota de exportação.