Estreito de Ormuz — O tráfego de petroleiros por Ormuz, a passagem mais crítica do mundo para o comércio de energia, está praticamente paralisado desde o final de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma campanha aérea contra o Irã . Em 9 de julho, apenas dois petroleiros haviam cruzado o estreito nos dias anteriores
. O Brookings Institution relata que o seguro marítimo está indisponível ou proibitivamente caro, e os marítimos se recusam a fazer a viagem, o que significa que o estreito está efetivamente fechado
. Antes da crise, Ormuz movimentava cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do mundo
. A Bloomberg estima que o fechamento reduziu o fluxo global de petróleo em aproximadamente 11 milhões de barris por dia, deixando um déficit de cerca de 9 milhões de barris/dia — mais do que o consumo combinado de Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e Itália
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Estreito de Bab el-Mandeb — O bloqueio huthi adiciona uma segunda ameaça. Bab el-Mandeb e Ormuz estão agora sob ameaça declarada simultaneamente . As cargas de petróleo bruto saudita que passam por Bab el-Mandeb despencaram 36% em apenas duas semanas, segundo a Kpler
. Analistas apontam que um fechamento total da rota sul removeria aproximadamente 7% do suprimento global de petróleo bruto do mercado
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Somados, os dois gargalos ameaçam uma fatia enorme do petróleo mundial. O Estreito de Ormuz, sozinho, movimentava cerca de 20% do petróleo global antes da crise . O Banco Mundial chamou a interrupção em Ormuz de "a maior disrupção do mercado de petróleo da história", com o suprimento global despencando 10,1 milhões de barris/dia em março de 2026
. Juntas, as duas crises colocam em risco cerca de um quarto de todo o petróleo do planeta
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O barril de petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 em 23 de julho de 2026, pela primeira vez desde maio, impulsionado por ataques com drones e mísseis dos huthis contra dois petroleiros sauditas — os navios Encelia e Layla — no Mar Vermelho . O New York Times informou que os preços permaneceram próximos de US$ 100 no dia 24, depois de o Irã rejeitar uma proposta de cessar-fogo dos EUA
. Analistas alertam que o Brent pode ultrapassar US$ 120 se as interrupções persistirem
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A Arábia Saudita vinha tentando contornar o fechamento de Ormuz exportando petróleo de seus terminais no Mar Vermelho, passando por Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez . Cerca de 70% das exportações sauditas foram desviadas para Yanbu, no Mar Vermelho, após o início do conflito
. O bloqueio huthi agora ameaça diretamente essa rota alternativa. Com Bab el-Mandeb sob cerco e Ormuz efetivamente fechado, as exportações sauditas enfrentam um dilema custoso: ou recorrer à longa rota do Cabo da Boa Esperança (na África do Sul), ou encarar uma paralisação quase total das exportações.
Analistas consultados por múltiplos veículos alertam que os preços do petróleo continuarão subindo sem um movimento significativo em direção a negociações . O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos EUA no final de julho, e os EUA reimpuseram um bloqueio naval ao Irã, intensificando ainda mais as hostilidades
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Em suma, o mundo enfrenta hoje não uma, mas duas crises de gargalos marítimos simultâneas — uma situação sem precedentes que já está redesenhando o mapa do comércio global de energia.