Na França, mais de 140 mil pessoas receberam ordens de deixar os departamentos de Gironde e Landes, perto de Bordeaux, até 25 de julho ; esse número cresceu para cerca de 220 mil somente no sudoeste do país até 27 de julho . Na Espanha, aproximadamente 70 mil pessoas foram evacuadas perto de Madri e na província central de Guadalajara, onde uma emergência foi declarada . O céu sobre Madri ficou coberto por uma névoa de fumaça marrom-acinzentada e cinzas pretas .
Pelo menos uma morte foi confirmada diretamente por esses incêndios: um homem de 78 anos morreu na cidade espanhola de Condemios de Abajo (província de Guadalajara) quando as chamas varreram a área . Um incêndio anterior e separado no Mediterrâneo, perto da costa espanhola, matou pelo menos 12 pessoas e deixou 20 desaparecidas, mas esse incêndio é considerado um evento distinto . Três bombeiros morreram na França e na Itália no início do mês enquanto combatiam outros incêndios .
O principal incêndio na região francesa de Gironde queimou mais de 42 mil hectares até 26 de julho, com a frente de fogo chegando a 15 km de Bordeaux . As autoridades classificaram o incêndio de Guadalajara/Madri como o "pior incêndio" da história de Madri, com milhares de hectares queimados .
A Espanha declarou estado de emergência em 24 de julho, enquanto os incêndios ameaçavam áreas residenciais de Madri . A França mobilizou suas forças armadas e pediu ajuda à União Europeia por meio do Mecanismo de Proteção Civil . Ambos os países enviaram milhares de bombeiros, aeronaves tanque e reforços internacionais. As autoridades francesas também usaram barcos para evacuar moradores da península de Cap Ferret, quando a única estrada se tornou intransitável .
Uma onda de calor prolongada e a seca deixaram o sul da Europa extremamente seco . Ventos fortes impulsionaram as frentes de fogo de forma imprevisível e aceleraram as chamas, tornando o ataque direto quase impossível . Uma nova onda de calor estava prevista para atingir a região vinícola de Bordeaux enquanto os incêndios continuavam a queimar .
Pela primeira vez na história da França, o principal incêndio florestal no sudoeste gerou uma pyrocumulonimbus — uma "nuvem de fogo" ou cumulonimbus flammagenitus . As temperaturas extremas do solo no coração do incêndio fizeram com que o ar superaquecido subisse rapidamente; quando essa coluna encontrou ar mais frio nas altitudes mais elevadas, condensou-se em uma nuvem alta e enfumaçada que gerou seus próprios ventos e raios .
A nuvem criou um "fogo convectivo" que mudava de direção constantemente, espalhando-se em todas as direções e produzindo múltiplas frentes de fogo imprevisíveis . Os bombeiros descreveram a situação como um "cenário de Davi contra Golias", onde o combate direto era impossível . Esse tipo de nuvem é normalmente visto no Canadá, Austrália e América do Norte; até agora, nunca havia sido registrado na França . As autoridades disseram que a única esperança de controle era uma chuva forte e prolongada (três dias de precipitação) ou direcionar o fogo para uma barreira natural, como o mar .