O conflito renovado no Oriente Médio aumentou a demanda por refúgio no dólar e elevou os preços do petróleo. O barril do Brent atingiu US$ 90 em meados de julho e subiu ainda mais no fim do mês, com os futuros do Brent avançando mais de 1,3% para US$ 95,31 em 23 de julho . O petróleo mais caro eleva os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e reaviva as apostas em alta de juros do Fed, pressionando ainda mais o iene
. Segundo a Agência Internacional de Energia, o conflito EUA-Irã representa a maior disrupção já registrada no mercado global de petróleo e manteve o iene sob pressão ao longo de julho
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Uma forte alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA no início de julho impulsionou o dólar e levou o iene a uma mínima de 40 anos, em 162,27, em 30 de junho . A ata da reunião de junho do Fed mostrou que “algum aperto adicional seria provavelmente justificado”, reavivando as expectativas de aperto
. O dot plot do Fed também adotou um tom mais hawkish, com nove dirigentes esperando ao menos um aumento de juros em 2026
. Em 21 de julho, o iene enfraqueceu além de 163 por dólar pela primeira vez desde 1986, com o dólar subindo junto com os rendimentos dos títulos americanos em meio ao agravamento das tensões entre EUA e Irã
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O Ministério das Finanças do Japão sinalizou repetidamente que está pronto para intervir, mas o mercado passou a duvidar dos alertas verbais. Segundo relatos, Tóquio teria deliberadamente abandonado a linguagem explícita de intervenção para desorientar os vendedores a descoberto do iene — uma estratégia que saiu pela culatra . O Japão já gastou um recorde de US$ 74 bilhões para sustentar o iene no início de 2026, mas investidores disseram à CNBC que a intervenção sozinha dificilmente reverterá a queda enquanto os juros americanos continuarem muito acima dos japoneses
. A queda de cerca de 0,9% do iene na semana encerrada em 24 de julho foi a pior desde maio, quando a moeda se desvalorizou na esteira da intervenção recorde do Japão
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O BOJ deve manter a taxa em 1,00%, com o mercado precificando cerca de 97% de chance de manutenção . O sinal importante será o forward guidance — se o BOJ mantiver o tom hawkish, prometendo novos aumentos. O BOJ também pode revisar para cima a projeção de crescimento do PIB para o ano fiscal de 2026, dos atuais 0,5% para aproximadamente 0,8%, impulsionado pela forte demanda por inteligência artificial e pelo sentimento empresarial resiliente
. Fontes indicam que o banco central manterá o foco nos riscos inflacionários decorrentes do iene fraco
. Cerca de dois terços dos economistas esperam que a taxa de juros chegue a 1,50% até o segundo trimestre de 2027
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Os próximos passos do Fed dependem dos dados. Depois de um relatório de emprego fraco em junho, que mostrou a criação de muito menos vagas do que o esperado, o mercado reajustou as expectativas — os futuros dos fed funds agora veem 53% de chance de alta de juros até setembro, ante 67% . Qualquer sinal hawkish do Fed — ou um pico inflacionário impulsionado pelo petróleo, decorrente do conflito EUA-Irã — pressionaria ainda mais o iene. O Fed removeu sua referência a “ajustes adicionais de juros” em junho, reforçando uma postura mais cautelosa e dependente de dados, mas o dot plot mostrou que os dirigentes continuam divididos diante dos riscos inflacionários persistentes
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Conclusão: O colapso do iene é produto de quatro forças que se reforçam mutuamente — um Fed hawkish, um diferencial de juros crescente, uma guerra no Oriente Médio que alimenta a demanda pelo dólar e a desconfiança do mercado quanto à capacidade do BOJ de apertar a política monetária com rapidez suficiente. Os próximos pontos de inflexão são a decisão do BOJ em 31 de julho (e sua sinalização de futuros aumentos) e qualquer mudança no Fed, seja para cortes de juros ou para mais aperto. Sem uma redução significativa do diferencial de juros entre EUA e Japão ou uma desescalada no conflito EUA-Irã, o caminho de menor resistência para o USD/JPY continua sendo de alta, em direção a 165 .