O principal motivo: a tradicional narrativa do ouro como "hedge contra inflação" quebrou. Como o choque do petróleo estava empurrando os juros para cima, o ouro se desvalorizou apesar da alta dos preços de energia — uma inversão do padrão usual .
No final de maio de 2026, os EUA e o Irã chegaram a um esboço de extensão do cessar-fogo, e o ouro subiu mais de 1%, para US$ 4.504, com o petróleo e o dólar cedendo . Mas o acordo se mostrou frágil. Em 8 de julho, na cúpula da Otan em Ancara, o presidente Trump declarou o cessar-fogo "encerrado", dizendo que os ataques dos EUA ao Irã seriam retomados
. A reação do mercado foi imediata e violenta:
A Bloomberg informou que os ataques renovados no fim de semana seguinte levaram o ouro a US$ 4.070, com a confusão sobre as rotas de trânsito de energia no Estreito de Ormuz aumentando a volatilidade .
No sábado, 25 de julho, os EUA pausaram seus ataques ao Irã; Teerã disse ter feito o mesmo . No domingo, 26 de julho, a pausa entrou em seu segundo dia, e na segunda-feira, 27 de julho, já era o terceiro dia consecutivo de hostilidades interrompidas
.
O impacto no mercado foi imediato e diretamente oposto ao colapso de 8 de julho:
A prata tem sido o ativo com movimentos mais intensos em ambos os lados dessa negociação:
O consenso entre os grandes bancos e analistas é que o caminho do ouro de volta às máximas de janeiro depende quase inteiramente de duas variáveis: diplomacia versus preços do petróleo.
O que impulsionaria uma recuperação: Um cessar-fogo duradouro ou uma resolução diplomática que reduza os preços do petróleo e remova a pressão por altas de juros. É exatamente isso que o mercado vem precificando nos últimos três dias .
O que limitaria o ouro ou o levaria para baixo: Um retorno aos ataques entre EUA e Irã, picos do petróleo acima de US$ 100 por barril ou sinais mais agressivos do Fed. A probabilidade de 92% de um aumento de juros em 2026 é um teto persistente .
A alta do ouro para a área de US$ 4.100 no final de julho de 2026 é uma função direta da pausa de três dias nas hostilidades entre EUA e Irã, que derrubou os preços do petróleo, aliviou os temores de inflação e permitiu que o ouro recuperasse parte do terreno perdido . Mas o metal ainda está cerca de 26% abaixo de sua máxima histórica de janeiro, de US$ 5.595
. A prata está superando o ouro na alta devido a uma relação ouro-prata considerada extremamente esticada
. Os analistas são uniformemente cautelosos: sem uma resolução diplomática sustentada, o ciclo de realimentação petróleo-inflação-Fed se reafirmará, e recuperar os níveis acima de US$ 5.000 exigirá muito mais do que uma pausa temporária
. A decisão de juros do Fed no final desta semana é o próximo grande teste
.