Juros dos títulos do Tesouro dos EUA nas máximas de 2026. O rendimento subiu fortemente com o petróleo alimentando apostas de alta de juros pelo Federal Reserve. A Bloomberg registrou que os yields dos Treasuries atingiram o maior nível do ano em 23 de julho . O título de 10 anos, referência global, alcançou patamares não vistos em cerca de 18 meses, impulsionado pela mesma dinâmica petróleo-inflação .
Mercado passou a precificar cerca de 36% de chance de alta de juros do Fed. O susto inflacionário do petróleo levou os swaps de taxas de juros a refletir uma probabilidade relevante de elevação já na reunião do Fed da semana seguinte . Isso torpedeou ainda mais a atratividade dos títulos estrangeiros.
Uma guinada brusca em relação à semana anterior. Apenas uma semana antes (5 a 11 de julho), os japoneses haviam comprado ¥1,09 trilhão em títulos estrangeiros de longo prazo e ¥745,7 bilhões em títulos de curto prazo . A virada para uma venda líquida de ¥970,5 bilhões representou uma oscilação de cerca de ¥1,8 trilhão em duas semanas .
Iene na casa dos 163-164 por dólar, mínimas de 40 anos. O iene enfraqueceu além de 163 pela primeira vez desde 1986, chegando a 163,24, pressionado pelo dólar forte e pelos yields americanos mais altos . Em 24 de julho, já rondava 164 por dólar . Um iene mais fraco aumenta o valor em iene dos ativos estrangeiros, criando um incentivo à realização de lucros — fator que também pode ter contribuído para a venda .
Ministra da Fazenda do Japão repetiu alertas de intervenção. Satsuki Katayama reiterou "a prontidão do governo para agir" no câmbio, enquanto o iene renovava mínimas de 40 anos . O aviso verbal sinalizou desconforto de Tóquio, mas não reverteu a queda.
O movimento não se limitou a títulos:
Choque do petróleo → medo de inflação → expectativa de juros mais altos. O Brent disparando acima de US$ 100 com as interrupções no Irã reavivou a narrativa inflacionária e fez os mercados precificarem uma alta de juros do Fed .
Juros americanos mais altos e dólar mais forte tornaram os títulos estrangeiros menos atrativos e empurraram o iene para mínimas de 40 anos .
Realização de lucro sobre as enormes compras da semana anterior. A entrada líquida de ¥1,09 trilhão na semana anterior foi desfeita à medida que o cenário macroeconômico se deteriorava .
Venda simultânea de ativos japoneses por estrangeiros refletiu o mesmo sentimento de aversão ao risco: estrangeiros também venderam ações japonesas (¥79,6 bilhões) e títulos japoneses (¥185,1 bilhões) .
Em resumo: a venda recorde de títulos estrangeiros pelos japoneses foi uma resposta direta ao salto do Brent acima de US$ 100 por causa das tensões no Oriente Médio, o que reacendeu o medo de inflação, empurrou os juros dos Treasuries a máximas de 18 meses, elevou a probabilidade de um aumento de juros pelo Fed e derrubou o iene a mínimas de 40 anos — revertendo as grandes compras da semana anterior.