Coreia do Sul enfrentou um número sem precedentes de 'noites tropicais' — noites em que a temperatura não fica abaixo de 25°C. Seul registrou 22 noites tropicais em julho de 2025, quebrando um recorde de 117 anos . A Administração Meteorológica da Coreia confirmou que julho de 2025 foi o julho mais quente desde o início dos registros modernos, em 1973
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China viveu o verão mais quente da história em 2025, de acordo com a Administração Meteorológica da China, com a temperatura média nacional de junho a agosto atingindo 22,31°C, a mais alta desde 1961 . A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que os três países registraram calor extremo como marca registrada de 2025
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Alertas de calor e impactos na saúde: As autoridades japonesas emitiram alertas generalizados de insolação, e o escritório do médico legista de Tóquio registrou 56 mortes suspeitas por insolação entre junho e o fim de julho de 2025 . Autoridades sul-coreanas orientaram a população a adotar medidas de proteção, enquanto o sistema de saúde ficou sob pressão: mais de 1.200 pessoas foram afetadas por doenças relacionadas ao calor desde 15 de maio, com oito mortes confirmadas
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Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra aérea contra o Irã. Em retaliação, a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, proibindo a passagem da maioria dos navios comerciais . O estreito é um dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo, movimentando normalmente cerca de 20% do transporte global de petróleo e GNL — aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados por dia
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O impacto se espalhou pelos mercados globais de energia:
A convergência da demanda impulsionada pelo calor e a interrupção da oferta fez o índice Japan Korea Marker (JKM) — referência de preço do GNL para o Nordeste da Ásia — disparar em dois momentos distintos.
Pico da onda de calor no verão de 2025: Em julho de 2025, o JKM da Platts subiu para US$ 12,758/MMBtu em 11 de julho, impulsionado pelo aumento da demanda devido às ondas de calor no Leste Asiático. A S&P Global observou que os preços "deviam se manter firmes", já que a onda de calor e a incerteza inicial sobre a oferta empurraram o contrato de agosto do JKM para US$ 12,942/MMBtu em 10 de julho, o maior nível desde o início de 2025 .
Pico pós-bloqueio: Após o fechamento do Estreito de Ormuz, os preços spot dispararam. Em 6 de julho de 2026, o JKM estava em US$ 16,07/MMBtu — ainda 22,68% maior na comparação anual, tendo caído cerca de 15% em relação aos picos da crise de março e abril de 2026 . O relatório do CFR, de 23 de julho de 2026, listou o fechamento de Ormuz como uma das interrupções de ponto de estrangulamento mais graves da história moderna
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Japão e Coreia do Sul, ambos altamente dependentes de importações de GNL para geração de energia, ativaram reservas estratégicas de combustível e emitiram apelos de conservação de emergência durante os meses de pico do verão de 2025 e novamente durante a crise de oferta de 2026. A combinação da demanda recorde impulsionada pelo calor e o bloqueio do transporte em Ormuz deixou essas economias com capacidade de reserva mínima — a Vortexa observou explicitamente que "sem capacidade extra disponível no mercado de GNL, qualquer perda de oferta do Golfo será extremamente difícil de substituir" .
Não foi um cenário hipotético, mas uma crise composta e documentada. O FMI e o CFR avaliaram o fechamento do Estreito de Ormuz como uma das interrupções de ponto de estrangulamento mais graves da história moderna, com as economias importadoras de combustível da Ásia suportando a maior exposição .
A dinâmica central foi simples e devastadora: o calor recorde do verão (41,8°C no Japão, 22 noites tropicais na Coreia do Sul, verão mais quente da história na China) impulsionou o aumento da demanda por GNL para geração de energia exatamente quando o bloqueio do Estreito de Ormuz removeu ~20% da oferta global de GNL do mercado. Sem capacidade de produção ociosa disponível globalmente para substituir os volumes perdidos do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, os preços permaneceram elevados e as reservas estratégicas foram reduzidas .
Para o Japão e a Coreia do Sul em particular, a crise expôs a vulnerabilidade de economias que dependem de GNL importado para uma parcela significativa da geração de eletricidade. O choque duplo da demanda impulsionada pela onda de calor e a interrupção geopolítica da oferta deixou os formuladores de políticas com poucas opções além de apelos à conservação e liberações de reservas — uma crise energética de livro-texto, tornada mais severa por sua natureza composta.