A alta dos juros dos títulos públicos americanos cria um poderoso vento contrário para o Bitcoin, via custo de oportunidade. O yield do título de 10 anos atingiu 4,77% em 9 de julho, e o de 30 anos foi a 5,08% — os yields reais (TIPS) chegaram a 2,3%, o maior nível desde abril de 2025 . Como resumem analistas: "Bitcoin não paga juros. Títulos do Tesouro pagam. Quando os yields sobem e o dólar se fortalece ao mesmo tempo, o custo de oportunidade de segurar um ativo que não rende juros aumenta"
. Os yields de dois anos também se aproximaram das máximas de 2026, e o mercado antecipou apostas em alta de juros
. O Bitcoin está sendo cada vez mais "reprecificado de ativo de risco para ativo sensível a juros"
. Até mesmo o avanço dos juros dos títulos japoneses (JGB de 10 anos a 2,85%, maior nível em 30 anos) adiciona pressão global
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O conflito entre EUA e Irã tem sido um catalisador recorrente para movimentos de aversão ao risco. No início de junho, o Bitcoin já havia rompido abaixo de US$ 70 mil com investidores fugindo de ativos de risco diante das tensões com o Irã e da pressão de venda da Strategy . Em julho, os novos ataques dos EUA ao Irã derrubaram o Bitcoin novamente
. A guerra entre Israel e o Hamas e a instabilidade generalizada no Oriente Médio mantiveram um prêmio de risco persistente nos mercados ao longo de 2026, com cada escalada desencadeando vendas de criptomoedas junto com as bolsas.
O cenário regulatório continua pesando no mercado — embora tenha havido um sinal misto em julho. O progresso do "Clarity Act" (uma proposta de lei para dar mais clareza jurídica ao setor) trouxe alguma notícia positiva . No entanto, um novo escrutínio legal em torno da Strategy (antiga MicroStrategy), a maior detentora corporativa de Bitcoin, pesou sobre o sentimento
. As primeiras vendas de BTC pela empresa desde 2022 — incluindo a venda de cerca de 3.588 BTC por aproximadamente US$ 213 milhões a US$ 216 milhões no início de julho — adicionaram pressão vendedora e levantaram dúvidas sobre a demanda corporativa
. Analistas do Citi ponderaram que o motor maior foram as saídas sustentadas dos ETFs, e não apenas a Strategy
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Este é o peso mais amplo e persistente. O Bitcoin já havia atingido a mínima de 21 meses de US$ 57.742 em 1º de julho com a perspectiva de juros mais altos e preocupações com a Strategy . Dados de inflação acima do esperado, o depoimento hawkish do presidente do Fed, Kevin Warsh, e o mercado precificando uma alta de juros já em julho pressionaram os ativos de risco
. As saídas dos ETFs de Bitcoin atingiram 11 dias consecutivos, totalizando US$ 3,45 bilhões no início de junho
, e embora alguns ingressos tenham retornado, analistas da CryptoQuant apontam para a demanda em declínio como a razão estrutural chave pela qual o Bitcoin tem tido dificuldade em sustentar altas
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O Bitcoin está oscilando em torno de US$ 65.674 a US$ 66.105 — uma alta de cerca de 13% desde a mínima de 1º de julho, mas ainda quase 50% abaixo do pico de outubro de 2025 . A alta foi impulsionada em grande parte por um short squeeze (correção de posições vendidas) vindo de território sobrevendido, e não por demanda institucional nova
. A faixa entre US$ 64 mil e US$ 66.800 se mantém há cerca de uma semana, e analistas esperam uma correção de curto prazo devido ao "excesso de alavancagem em derivativos"
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Conclusão: Nenhum evento isolado causou a queda de quarta-feira abaixo de US$ 66 mil — foi a continuação de um coquetel macroeconômico pessimista. A disparada do petróleo, a alta dos juros, as tensões com o Irã, o peso regulatório/de vendas da Strategy e o medo de novos aumentos de juros convergiram para manter o Bitcoin em uma faixa defensiva. A recuperação estagnou porque o ambiente macroeconômico não melhorou, mesmo que o pior das vendas tenha feito uma pausa.