A metodologia usada pelos analistas combinou imagens ópticas de alta resolução com dados de radar do satélite Sentinel-1 para detectar e medir as manchas. O Greenpeace também fez parceria com a organização SkyTruth, que usa inteligência artificial para monitorar a poluição no Mar Negro .
A poluição não tem uma única causa. Ela é resultado de dois fenômenos simultâneos:
Vazamento contínuo do naufrágio de 2024: O petroleiro Volgoneft-239 naufragou no Estreito de Kerch em dezembro de 2024. Desde então, o projeto russo SkyEye e o Greenpeace confirmaram que o óleo continua vazando da seção dianteira do navio . No total, estima-se que o desastre tenha despejado entre 2.400 e 5.000 toneladas de óleo combustível pesado (mazut) no Mar Negro e no Mar de Azov .
Novos derrames causados pela guerra: A Operação MoLoChKa, da Ucrânia, tem como alvo os navios russos. Imagens de satélite de 11 de julho de 2026 mostraram uma mancha de óleo se espalhando por quase 3 quilômetros a partir do porto de Taganrog, poluição diretamente atribuída aos ataques de drones ucranianos a embarcações russas no porto .
Contexto relevante: O Greenpeace e a SkyTruth já haviam documentado 226 derrames de óleo e combustível em todo o Mar Negro em quatro anos, a maioria deles (mais de 170) atribuída a descargas ilegais de água de porão na costa da Bulgária .
MoLoChKa (que significa 'laticínio' em ucraniano) é o nome da campanha lançada em 6 de julho de 2026 pelas Forças de Sistemas Não Tripulados (USF) da Ucrânia . O alvo principal é a chamada 'frota fantasma' da Rússia — navios petroleiros de pequeno e médio porte que transportam petróleo e diesel sancionados internacionalmente para a Crimeia e para navios maiores no Mar Negro .
| Período da Operação | Navios atingidos (segundo a Ucrânia) | Fonte |
|---|---|---|
| 6 a 14 de julho (9 dias) | 116 navios (só no Mar de Azov) | |
| 6 a 16 de julho (11 dias) | 147 navios no total | |
| 6 a 17 de julho (12 dias) | 159 navios (117 no Azov + 42 no Mar Negro) | |
| 6 a 18 de julho (13 dias) | 172 navios (118 no Azov + 54 no Mar Negro) |
Nota importante: Os números exatos vêm de declarações das forças armadas ucranianas e não podem ser verificados de forma independente. A Rússia raramente confirma danos à sua frota fantasma. No entanto, a tendência de crescimento é consistente em relatos de veículos como Reuters, NYT, BBC e CNBC .
O efeito mais imediato e visível foi a crise de combustível na Crimeia ocupada. O plano ucraniano era simples: destruir os navios que abastecem a península, forçando a Rússia a depender de rotas terrestres já sobrecarregadas . Os resultados foram dramáticos:
O caso do Mar de Azov é um exemplo clássico de como o conflito armado pode acelerar e agravar crises ambientais. Os ataques de drones da Ucrânia, embora sejam uma resposta militar legítima à invasão russa, causam diretamente novos derrames de óleo ao danificar navios-tanque .
Ao mesmo tempo, a Rússia é responsável pelo vazamento contínuo do naufrágio de 2024 e pela poluição industrial crônica na região. A sobreposição desses eventos — poluição de guerra + poluição industrial + desastre prévio — criou a mancha de 100 km² que o Greenpeace documentou .
Resumo para o leitor: É impossível separar a crise ambiental da crise militar. A Operação MoLoChKa cortou o fornecimento de combustível para a Crimeia e prejudicou a economia de guerra russa, mas cada navio destruído também libera poluentes no mar. O Greenpeace, ao monitorar a situação, expõe um ciclo vicioso onde a guerra alimenta a poluição, que por sua vez perpetua o sofrimento humano e ecológico.