A decisão foi proferida em 17 de julho pelo juiz William Orrick, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, em Oakland . Os autores, que atuam anonimamente por medo de retaliação, alegam que a Meta violou leis trabalhistas e de deficiência ao basear as demissões em ferramentas de IA que não levavam em conta ausências protegidas por lei — como licença-maternidade, licença médica ou afastamento por deficiência .
De acordo com a ação judicial, dois sistemas internos da Meta teriam sido usados para ranquear e escolher quem seria demitido:
Os funcionários argumentam que, por não ajustarem as métricas de desempenho para períodos de afastamento, esses sistemas puniram automaticamente quem estava em licença protegida . Um dos casos citados é o de uma funcionária que estaria a apenas dois dias de dar à luz quando foi selecionada para demissão .
A ação pede a suspensão imediata das demissões enquanto correm as acusações de violação da Lei de Licença Médica e Familiar (FMLA), da Lei de Direitos da Família da Califórnia e de leis antidiscriminação por deficiência .
O juiz Orrick reconheceu que os prejuízos sofridos pelos funcionários são "obviamente reais", mas concluiu que eles não atendem ao critério legal de "dano irreparável" necessário para justificar uma liminar de emergência . Com isso, o mérito da ação — considerada uma das primeiras grandes contestações legais ao uso de IA em decisões de demissão — será decidido em arbitragem privada, um processo menos transparente que o tribunal aberto .
A Meta nega as acusações. Em comunicado, a empresa afirma que as decisões de demissão foram tomadas por gerentes humanos, não por IA, e que cumpre todas as leis trabalhistas . Em juízo, a companhia também sustentou que os funcionários haviam concordado com cláusulas de arbitragem obrigatória .
Se as alegações se confirmarem, este pode se tornar um caso emblemático sobre até que ponto as empresas podem delegar a algoritmos decisões que afetam a vida dos trabalhadores — e onde a supervisão humana é obrigatória por lei . Por enquanto, as demissões seguem conforme o planejado, e a briga judicial será resolvida nos bastidores da arbitragem privada.