Queda no processamento. O processamento de petróleo bruto na Rússia caiu para cerca de 5,1 milhões de barris por dia (bpd) em agosto de 2025 e depois para aproximadamente 4,9 milhões de bpd em setembro — uma redução de 300.000 a 500.000 bpd em relação às previsões . No acumulado de 2025, a produção doméstica de refino caiu 1,7% em relação a 2024, para 262,3 milhões de toneladas .
Efeito de compensação. A Rússia usou a capacidade ociosa de refino para limitar a queda geral do processamento a cerca de 3% em 2025, de acordo com fontes da Reuters . A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a supressão da produção nas refinarias devido aos ataques de drones deve persistir pelo menos até meados de 2026 .
Duas refinarias foram particularmente atingidas e ilustram o alcance estratégico e o dano cumulativo da campanha.
Gazprom Neftekhim Salavat (Bashkortostan). Um dos maiores complexos petroquímicos e de refino da Rússia, a mais de 1.300 km da Ucrânia. Foi atingida por drones em 18 de setembro de 2025, incendiando a unidade de destilação de petróleo bruto ELOU-AVT-4 . Um segundo ataque atingiu a mesma instalação menos de uma semana depois, em 24 de setembro, com fontes relatando que uma "unidade significativa" foi tomada pelas chamas . Foi atingida novamente em julho de 2026, com as Forças de Operações Especiais da Ucrânia relatando que a unidade crítica de destilação de petróleo AVT-6 foi atingida .
Refinaria Afipsky (região de Krasnodar). Uma refinaria no sul da Rússia que fornece combustível para as forças armadas russas . Foi atacada repetidamente — pelo menos seis incêndios documentados causados por drones entre agosto de 2025 e junho de 2026 . Em cada ocasião, as autoridades locais relataram que os incêndios foram extintos, com alguns danos a equipamentos . O efeito cumulativo contribuiu para a escassez regional de combustível . Autoridades ucranianas descreveram a refinaria Afipsky como um alvo prioritário por seu papel no abastecimento das forças de ocupação russas .
A escassez se materializou. A BBC Verify e a BBC Russian reportaram que, em outubro de 2025, aproximadamente 21 das 38 principais refinarias da Rússia haviam sido atingidas, levando à escassez de combustível e ao aumento de preços em várias regiões russas .
Aumento paradoxal das exportações. A redução da capacidade de refino doméstico fez com que a Rússia tivesse mais petróleo bruto não refinado disponível para exportação. A Rússia aumentou as exportações de petróleo bruto dos portos ocidentais para quase 2 milhões de bpd em agosto de 2025, cerca de 200.000 bpd acima das projeções anteriores . A Bloomberg descreveu o fenômeno como "os ataques de drones da Ucrânia impulsionando um aumento nas exportações de petróleo russo" .
Crise reconhecida. Em junho de 2026, o governo russo reconheceu pela primeira vez que os ataques aéreos haviam levado a "complicações temporárias no abastecimento" . O vice-primeiro-ministro Alexander Novak admitiu que a produção de petróleo bruto estava caindo, pois as refinarias passavam por reparos não programados . Em julho de 2026, a crise já afetava cerca de 50 milhões de pessoas, aproximadamente 35% da população russa, com a Crimeia declarando estado de emergência e proibindo a venda de combustível .
Moscou introduziu um conjunto escalonado de restrições às exportações e medidas de importação em resposta direta ao aperto na oferta causado pelos drones:
| Medida | Data | Detalhes |
|---|---|---|
| Proibição de exportação de gasolina estendida | Agosto de 2025 (anunciada) | Estendida do final de agosto até setembro para produtores, citando interrupções causadas por drones . |
| Proibição parcial de exportação de diesel | 25 de setembro de 2025 | Proibidas as exportações de diesel por revendedores (não produtores) até o final de 2025 . |
| Proibição total de exportação de diesel | 8 de julho de 2026 | Proibição total das exportações de diesel até 31 de julho de 2026. Novak disse que a Rússia também começaria a importar combustível . |
| Proibição de exportação de querosene de aviação | 1º de junho de 2026 | Proibidas as exportações de querosene de aviação até 30 de novembro de 2026 para estabilizar o mercado interno . |
| Início das importações de combustível | Julho de 2026 | A Rússia começou a importar derivados de petróleo pela primeira vez para complementar a oferta interna . |
Os ataques de drones foram estrategicamente eficazes: não colapsaram a produção geral de refino da Rússia (que caiu apenas cerca de 3% em 2025 graças à capacidade ociosa ), mas atingiram repetidamente refinarias críticas, forçaram manutenções não programadas, criaram escassez localizada e picos de preços e compeliriam Moscou a impor proibições de exportação cada vez mais amplas sobre gasolina, diesel e querosene de aviação — culminando na medida inédita de importar combustível em meados de 2026 . A AIE espera que a supressão da produção nas refinarias russas persista até meados de 2026 .