A Consultoria Agro do Itaú BBA listou o café entre as culturas mais vulneráveis ao El Niño, observando que as chuvas irregulares — pancadas intensas após períodos de seca — aumentam o risco de floradas prematuras, desuniformes e de pressão de doenças .
Previsões da NOAA e do IRI apontam 96–98% de probabilidade de El Niño entre julho e setembro de 2026 e início de 2027, o que significa que o fenômeno deve estar ativo durante toda a janela de florada no Brasil .
Produtores estão mais preparados do que em eventos passados. A Abic observa que os cafeicultores investiram em irrigação, manejo melhorado e monitoramento precoce de doenças, o que deve compensar parcialmente o estresse climático .
A safra 2026/27 parte de uma base recorde. As primeiras projeções apontavam para uma colheita de aproximadamente 75,8 milhões de sacas de 60 kg, um volume recorde, de modo que mesmo um corte de 20% ainda deixaria a produção historicamente alta .
Ciclo bienal do café arábica. A safra 2026/27 é um ano de alta bienal, ou seja, os pés de café carregam mais frutos do que em um ano de baixa, o que oferece certo colchão .
Alguns analistas acreditam que o dano imediato à safra 2026/27 é limitado. O Mundo Agro (R7) reportou que, embora o El Niño mude o foco do mercado, a produção brasileira de 2026/27 pode não sofrer impactos relevantes, com o maior risco recaindo sobre o ciclo 2027/28 e sobre produtores da América Central e Sudeste Asiático .
Risco de geada é menor. Uma vantagem do El Niño é a redução da probabilidade de geadas no cinturão cafeeiro do Brasil durante o inverno .
Os futuros do arábica dispararam para uma máxima de 5 meses, perto de US$ 3,50/lb em 6 de julho de 2026, impulsionados pelos atrasos na colheita devido às chuvas persistentes e à crescente preocupação com o El Niño, antes que a realização de lucros devolvesse os preços para ~US$ 3,20/lb . Antes disso, em junho, o arábica havia atingido uma mínima de 19 meses, perto de US$ 2,465/lb, com a perspectiva de safra recorde, antes de se recuperar bruscamente
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A ação do preço do café foi descrita como 'território de ações meme' por alguns analistas, refletindo uma volatilidade extrema, na qual o short covering, os temores climáticos e a queda nos estoques colidiram com as previsões de produção recorde .
Atrasos na colheita são um fator de alta no curto prazo. Em 1º de julho, a colheita brasileira de 2026/27 estava apenas 52% concluída (contra 60% no ano anterior), e as chuvas persistentes aumentaram os riscos de doenças para os grãos que secavam nos terreirões .
Os estoques certificados de arábica na ICE caíram para uma mínima de 27 meses, de 366.756 sacas no início de julho, apertando o mercado físico .
O presidente da Lavazza alertou que os preços altos e a volatilidade podem persistir por pelo menos dois anos, dizendo que "o mercado precisa de estabilidade antes que possamos pensar em uma redução de preços" .
Os traders também observam riscos em outros elos da cadeia: espera-se que o El Niño ameace os produtores de robusta da América Central e do Sudeste Asiático nos ciclos seguintes, ampliando a preocupação com a oferta para além do Brasil .