Esta foi a segunda suspensão em duas semanas — o Catar já havia emitido uma orientação semelhante em 29 de junho (suspensa em 5 de julho) antes de reimpor a medida em 12 de julho . O gatilho imediato foi o agravamento do ambiente de segurança no Estreito de Hormuz, após um ataque direto a um ativo do Catar.
Na noite de 6 para 7 de julho de 2026, três navios comerciais foram atingidos por projéteis no Estreito de Hormuz. O mais significativo foi o petroleiro de GNL do Catar Al Rekayyat, atingido por um projétil (relatado como um drone ou míssil) enquanto transitava perto da costa de Omã ao sair do Estreito . O ataque provocou um incêndio na casa de máquinas; a tripulação foi evacuada e o navio permaneceu encalhado na costa de Omã . Um áudio do pedido de socorro do capitão, revisado pela Reuters, capturou o momento: "Estamos sendo atingidos por um drone no lado bombordo, acima da casa de máquinas" .
Pela primeira vez no conflito, o Catar condenou publicamente o Irã pelo nome. O Ministério das Relações Exteriores convocou o vice-embaixador do Irã, entregou uma nota de protesto formal e emitiu uma declaração responsabilizando o Irã "total e legalmente" pelo ataque e por "quaisquer danos e consequências resultantes" . Um porta-voz do ministério chamou o ataque de "inaceitável" contra a navegação internacional e o fornecimento global de energia .
A agência de notícias semi-oficial iraniana Fars, citando fontes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), disse que a Marinha da IRGC alvejou dois petroleiros que tentavam cruzar o Estreito por uma rota de Omã apoiada pelos EUA, após não terem atendido a avisos .
Os ataques aos petroleiros ocorreram dentro de um conflito muito mais amplo que vem ocorrendo desde o início de 2026:
Após os ataques de 7 de julho, os militares dos EUA lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã. Em 12 de julho, os EUA anunciaram ter atingido 140 instalações militares iranianas em sua terceira onda de ataques naquela semana . O presidente Trump declarou que o acordo provisório com o Irã estava "acabado" . Washington também revogou uma licença que permitia ao Irã vender petróleo — a mesma licença que fazia parte do efêmero entendimento temporário .
Os EUA insistiram que o Estreito de Hormuz permanecia aberto, mesmo enquanto a IRGC do Irã dizia que a hidrovia estava fechada até novo aviso .
O Catar há muito desempenhava um papel único como um canal de comunicação entre Washington e Teerã — mantendo linhas diplomáticas abertas com o Irã mesmo quando outros aliados do Golfo não o faziam, e hospedando negociações paralelas sobre o Afeganistão. Ao atingir um petroleiro de GNL de bandeira do Catar, o Irã atingiu diretamente os interesses econômicos de Doha e sua empresa nacional de energia Nakilat .
Isso colocou Doha em uma posição impossível. Em vez de permanecer como o intermediário neutro, o Catar rompeu publicamente com Teerã — convocando o enviado do Irã, entregando uma nota de protesto e emitindo uma condenação pública direta . Analistas descreveram o ataque como um teste que potencialmente destruiu a postura de mediação cuidadosamente cultivada pelo Catar — a mesma postura que tornou Doha útil para ambos os lados .