A queda do euro em direção a US$ 1,14 contra o dólar não é uma história de um único evento — é o resultado de uma reavaliação hawkish (conservadora) da política do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh, de um diferencial de juros crescente com o Banco Central Europeu (BCE) e de um desmonte dramático das apostas especulativas compradas em euro. Aqui está como cada fator se confirma com as evidências disponíveis, e o que três eventos críticos de julho significam para o próximo movimento do par.
Virada hawkish do Fed com Kevin Warsh. Em sua primeira reunião como presidente, em junho de 2026, o Fed manteve as taxas em 3,50%–3,75%, mas o gráfico de pontos (dot plot) inverteu a trajetória esperada para 2026: em vez de cortes, nove dos 18 dirigentes projetaram ao menos mais uma alta, elevando a mediana da projeção de juros para cerca de 3,8% . O EUR/USD caiu 1,12% em um único dia, em 18 de junho, passando de ~1,1591 para ~1,1461
, e depois atingiu uma mínima de várias semanas em 1,1420 no dia 18 e uma mínima do ano perto de 1,134 em 24 de junho
. O índice DXY (dólar) subiu para uma máxima de 13 meses, perto de 100,7
. No entanto, Warsh suavizou o tom no simpósio do BCE em Sintra, em 1º de julho, dizendo que os riscos de inflação "caíram recentemente", desencadeando um modesta cobertura de posições vendidas (short covering)
.
Diferencial crescente entre Fed e BCE. O BCE elevou sua taxa de depósito para 2,25% em 17 de junho de 2026 — o primeiro aumento desde 2023 . Isso deixa a taxa do Fed Funds em 3,50%–3,75% contra 2,25% do BCE, um gap de aproximadamente 125–150 pontos-base. O mercado agora precifica o Fed mantendo ou subindo juros enquanto o BCE para, o que reforça a força do dólar e a fraqueza do euro
.
Colapso das posições especulativas (CFTC). As posições especulativas líquidas compradas em euro oscilaram violentamente ao longo de 2026:
Isso confirma uma mudança drástica de forte otimismo com o euro no início do ano para uma posição quase neutra/baixista, à medida que a reavaliação hawkish do Fed se consolidou.
O par está atualmente preso em um impasse "duplo hawkish" — um Fed agressivo e um BCE que acabou de subir juros se anulam mutuamente, mantendo o EUR/USD em um intervalo de 1,13–1,17 sem uma tendência clara . Analistas caracterizam o cenário base como um intervalo de 1,13–1,17 até o terceiro trimestre de 2026, com 1,10 como o caso baixista e 1,22 como o caso otimista
.
Três eventos em rápida sucessão vão determinar o próximo movimento:
CPI de 14 de julho (dados de junho). O Bureau of Labor Statistics (BLS) dos EUA vai divulgar o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho às 8h30 (horário da costa leste dos EUA) . O CPI de maio foi de 4,2% ao ano, o maior desde abril de 2023, impulsionado principalmente pelos custos de energia
. Se o CPI de junho vier quente de novo (puxado por energia), reforça o caso para o Fed não cortar ou até subir juros, impulsionando o dólar e empurrando o EUR/USD para perto de 1,10. Um número mais frio pode desencadear um rali de cobertura de posições vendidas.
Reunião do BCE em 23 de julho (97–98% de probabilidade de manutenção). O Conselho do BCE está agendado para se reunir em 23 de julho . As probabilidades no Polymarket mostram ~97–98% de chance de manutenção
. Uma manutenção, com Christine Lagarde sinalizando que não há urgência para novas altas, reafirmaria o diferencial de juros e pressionaria o euro .
O conflito no Irã continua sendo o ingrediente-surpresa: uma interrupção histórica no fornecimento de energia já está embutida no CPI de 4,2% , e qualquer escalada atingiria a Europa com mais força do que os EUA, adicionando um prêmio de risco energético negativo para o euro
. Bancos de Wall Street já estão projetando US$ 1,10 em doze meses
.
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O euro caiu de US$ 1,20 em janeiro para perto de US$ 1,14, impulsionado por um Fed mais agressivo sob Kevin Warsh, que inverteu a projeção de juros para 2026 de cortes para altas, ampliando o diferencial para o BCE pa...
O euro caiu de US$ 1,20 em janeiro para perto de US$ 1,14, impulsionado por um Fed mais agressivo sob Kevin Warsh, que inverteu a projeção de juros para 2026 de cortes para altas, ampliando o diferencial para o BCE pa... As posições especulativas líquidas compradas em euro despencaram de +26.000 contratos em abril para apenas 1.100 em julho, uma reversão completa do otimismo para a neutralidade.
Três catalisadores de curto prazo — o CPI dos EUA em 14/7, a reunião do BCE em 23/7 (97 98% de chance de manutenção) e a reunião do Fed em 28 29/7 — vão ditar se o EUR/USD mantém o intervalo de 1,13 1,17 ou rompe para...
Reunião do Fed em 28–29 de julho. A reunião se aproxima. A Bloomberg (8 de julho) noticiou que traders estão fazendo hedge para um Fed menos hawkish, mas altas "continuam precificadas" . Se o Fed mantiver as taxas, mas com um viés hawkish, o dólar se fortalece ainda mais. Um aumento surpresa provavelmente empurraria o EUR/USD decisivamente para abaixo de 1,13.