Medo de vazamento de tecnologia. Pequim ficou alarmada com a possibilidade de a tecnologia de IA agêntica da Manus — a startup ganhou atenção global em março de 2025 com sua demonstração de um "agente geral de IA" — ser transferida para uma empresa dos EUA em meio ao aumento das tensões tecnológicas . O acordo foi criticado internamente como uma "tentativa conspiratória de esvaziar a tecnologia chinesa"
.
Aplicação retroativa. A Meta já havia concluído a aquisição em janeiro de 2026, após anunciá-la no final de dezembro de 2025. Grande parte do trabalho para integrar a Manus à Meta já estava concluída quando a NDRC ordenou o desfazimento do negócio . O Ministério do Comércio da China lançou uma revisão em janeiro de 2026 com base em regulamentos de controle de tecnologia
. A NDRC então ordenou o desfazimento meses depois.
Fundadores impedidos de deixar o país. Após o bloqueio, os fundadores da Manus foram proibidos de deixar a China, e as autoridades chinesas agiram para garantir que a tecnologia permanecesse em território nacional .
Mesmo valor de US$ 2 bilhões. Um consórcio chinês liderado pela Tencent, em conjunto com a Sequoia China e o ZhenFund, organizou a recompra da Manus da Meta pelo mesmo preço de US$ 2 bilhões, restaurando efetivamente o controle doméstico .
Tencent como maior acionista. A Tencent negociou para se tornar a maior acionista da Manus, com os investidores originais, incluindo ZhenFund e HongShan Capital, também participando da recompra . O Financial Times noticiou em julho de 2026 que a Tencent estava em negociações para ficar com a maior parte
.
Conclusão reportada. O The Information noticiou no final de junho de 2026 que o consórcio já havia concluído a recompra de US$ 2 bilhões, recuperando o controle da startup referência em IA .
A saga da Manus é amplamente vista como um marco na guerra fria tecnológica entre EUA e China. Representa um caso raro em que uma aquisição transfronteiriça concluída foi forçosamente revertida e o ativo devolvido a mãos nacionais pelo mesmo preço . O episódio sinaliza que Pequim está disposta a usar revisões de segurança nacional de forma retroativa para proteger a tecnologia de IA, mesmo depois de um negócio já fechado. Para investidores globais, o bloqueio introduz uma nova incerteza em aquisições de tecnologia transfronteiriças que envolvem startups fundadas por chineses, especialmente em IA avançada.
A Meta, por sua vez, declarou que a transação "cumpriu integralmente a lei aplicável" e expressou otimismo quanto a uma resolução . Mas o resultado não deixa dúvidas: no clima geopolítico atual, talento e tecnologia de IA originados na China podem não estar mais acessíveis a compradores dos EUA, a qualquer preço.