Além do desfecho primário composto, a semaglutida mostrou benefícios em vários desfechos individuais:
Importante: os benefícios cardiovasculares surgiram nos primeiros três meses de tratamento, antes que ocorresse perda de peso clinicamente relevante, sugerindo mecanismos independentes da perda de peso .
Em março de 2024, o FDA dos EUA aprovou o Wegovy para reduzir o risco de morte cardiovascular, infarto e AVC em adultos com doença cardiovascular e obesidade ou sobrepeso — o primeiro medicamento para obesidade a receber uma indicação de redução de risco cardiovascular . Em dezembro de 2024, o FDA expandiu a aprovação para prevenção secundária de eventos cardiovasculares em pessoas com IMC de 27 kg/m² ou mais, sem diabetes
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Essa decisão do FDA abriu caminho para a cobertura pelo Medicare (o seguro de saúde público para idosos nos EUA). O CMS (Centers for Medicare and Medicaid Services) anunciou que permitiria que os planos da Parte D cobrissem o Wegovy para pacientes com IMC elevado e doença cardiovascular estabelecida, independentemente da presença de diabetes . Uma análise estimou que cobrir a semaglutida para todos os pacientes cardiovasculares recém-elegíveis poderia custar ao Medicare Parte D entre US$ 34 bilhões e US$ 145 bilhões anualmente, levantando questões significativas sobre o impacto orçamentário
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Paralelamente, em abril de 2026, o NICE (National Institute for Health and Care Excellence) do Reino Unido recomendou o Wegovy para uso de rotina nos caminhos de cuidados cardiovasculares do NHS (sistema público de saúde inglês), com cerca de 1,2 milhão de pessoas se tornando elegíveis .
O cenário competitivo entre semaglutida e tirzepatida (Mounjaro/Zepbound) é definido por uma troca clara. Estudos comparativos diretos mostram consistentemente que a tirzepatida alcança perda de peso superior — 4,61% a mais de redução percentual de peso corporal em uma meta-análise — mas, até meados de 2026, a tirzepatida não tem um estudo de desfechos cardiovasculares completo e específico para obesidade.
Um estudo recente de mundo real comparando semaglutida e tirzepatida em pacientes com obesidade e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada não encontrou diferença estatisticamente significativa nos desfechos clínicos após um acompanhamento médio de 24 semanas (HR 1,14; IC 95% 0,89–1,46; p = 0,286) . No entanto, o estudo SELECT fornece dados de longo prazo de décadas para a semaglutida que a tirzepatida ainda não consegue igualar.
Uma avaliação de efetividade comparativa do ICER (Institute for Clinical and Economic Review) observou que a tirzepatida mostrou uma redução de 8% no risco de MACE e uma redução de 16% na mortalidade por qualquer causa quando comparada indiretamente com a dulaglutida, mas isso fica aquém do nível de evidência do SELECT . O estudo SELECT continua sendo o primeiro — e até agora, o único — estudo de desfecho cardiovascular realizado especificamente no contexto do tratamento farmacológico da obesidade
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Os dados cardiovasculares da semaglutida criam o que analistas chamam de um fosso regulatório e comercial único. O medicamento aborda a principal causa de morte em pessoas com obesidade — a doença cardiovascular — com resultados comprovados em ensaios clínicos. Essa distinção impulsiona decisões de cobertura do Medicare, recomendações do NICE e padrões de prescrição médica.
Para os pacientes, as implicações clínicas são claras. A semaglutida é o único medicamento para obesidade com reduções comprovadas e apoiadas por estudos clínicos em morte cardiovascular, infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Para os cerca de 3,6 milhões de beneficiários do Medicare recém-elegíveis para cobertura, o medicamento representa um avanço importante na prevenção do risco cardiovascular .