Enquanto as vendas internas enfraquecem, o Sealion 7 está vendendo bem no exterior. Só em maio de 2026, foram exportadas 12.636 unidades. Na Austrália, o modelo superou o Tesla Model Y em vendas . O mercado internacional oferece uma rentabilidade maior por veículo do que o mercado chinês, extremamente competitivo
.
A BYD vem reduzindo a produção na China — cortando turnos noturnos, cancelando novas linhas de produção e adiando a expansão de fábricas — enquanto os estoques não vendidos se acumulam, mesmo com descontos agressivos . Redirecionar a produção do Sealion 7 para exportação permite aproveitar a capacidade das linhas existentes sem aumentar o excedente no mercado interno
.
Em maio de 2025, a Reuters reportou que a BYD pretende vender metade de todos os seus veículos fora da China até 2030, contra cerca de 10% em 2024 . Para 2026, a empresa espera vender entre 1,3 e 1,5 milhão de unidades no exterior, um crescimento de cerca de 24% sobre o 1,05 milhão vendido internacionalmente em 2025
. A Bloomberg avaliou que a BYD não deve ter dificuldades para atingir essa meta
.
Com o mercado chinês cada vez mais competitivo e margens comprimidas pelas guerras de preço, as vendas internacionais se tornaram fonte de lucro para a BYD. No primeiro trimestre de 2026, as vendas internacionais representaram 46% da receita total da empresa, com margens significativamente maiores, mesmo enquanto a demanda doméstica caía cerca de 30% . Em junho de 2026, as vendas globais subiram 5,5% na comparação anual, para 403.472 veículos, impulsionadas por um salto nas exportações
.
O Sealion 7 não é um caso isolado. A BYD tem sistematicamente:
Isso cria uma segmentação clara: a China recebe os híbridos plug-in de última geração e os elétricos renovados; os mercados externos continuam recebendo modelos que ainda vendem bem lá fora, mas que já não são competitivos no mercado chinês.
A BYD está construindo fábricas na Tailândia, Uzbequistão, Brasil e Hungria (perto da conclusão) para atender os mercados regionais e contornar as tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos fabricados na China . A capacidade combinada das fábricas no exterior deve chegar a cerca de 300 mil unidades por ano
.
A saída discreta do Sealion 7 da China é um microcosmo da grande virada da BYD: usar o mercado chinês como laboratório para iterar rapidamente modelos, exportar a geração anterior para mercados internacionais com margens maiores e renovar o portfólio interno com tecnologia mais recente.