A resposta está na mudança de expectativa. Embora os estoques estivessem baixos (parcialmente drenados pela guerra), o mercado começou a precificar o futuro: com o Estreito de Ormuz sendo reaberto, uma enxurrada de petróleo iria inundar o mercado. A percepção de risco de desabastecimento evaporou. Como a própria Reuters destacou, a EIA já previa que o aumento da oferta levaria a preços mais baixos em 2026 e 2027, o que contradiz o cenário de curto prazo de estoques baixos .
Os números são impressionantes. Embora as fontes disponíveis não confirmem o fluxo exato de 10 milhões de bpd, elas mostram uma recuperação robusta. Um relatório do início de julho apontou que as exportações do Golfo (Arábia Saudita, Emirados, Kuwait, Iraque e Irã) pularam para mais de 10 milhões de bpd em junho, um avanço de mais de 3 milhões de bpd em relação a maio . O fluxo estava se normalizando, trazendo de volta ao mercado uma quantidade massiva de petróleo que estava parada.
Enquanto os preços caíam, a OPEP+ agia. O aumento de 188 mil bpd para agosto foi confirmado por múltiplas fontes . A novidade é que este não foi um movimento isolado. O Investing.com e o Times of India reportam que, desde o início da guerra, a OPEP+ já adicionou impressionantes 940 mil bpd às suas cotas de produção, um valor equivalente a quase 1% da demanda global
. A lógica é clara: com o fim do conflito, o grupo quer recuperar o mercado perdido e sinalizar estabilidade.
Com a oferta crescendo e a demanda global ainda se recuperando, o mercado virou a chave. A Agência Internacional de Energia (AIE) já fala em um excedente significativo a partir de 2027 . No entanto, a recuperação não será mágica. Bancos como o Goldman Sachs alertam que, mesmo com o acordo, levará meses para que a produção do Golfo volte aos níveis pré-guerra, devido a danos em infraestrutura e logística
. A Rystad Energy é ainda mais cautelosa, projetando que a normalização total do fluxo no Estreito de Ormuz pode não ocorrer antes de 2027
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