O colapso não foi gradual; foi uma queda quase vertical, disparada por um único avanço diplomático. Confira a cronologia completa e verificada do conflito, da disparada dos preços e da rápida reversão.
28 de fevereiro de 2026 — Estados Unidos e Israel iniciam uma guerra aérea contra o Irã . Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) fecha o Estreito de Ormuz, emitindo avisos, abordando navios e lançando minas marítimas
. Pelo estreito passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a 20% da oferta global
. O barril do Brent, que começou o ano na casa dos US$ 61, dispara quase que imediatamente
.
Em meados de abril, o Estreito seguia fechado, e os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos . Em 30 de abril de 2026, o Brent atingiu a máxima intradiária de US$ 126,41, uma alta de quatro anos, antes de recuar
. O Banco Mundial classificou a interrupção como "o maior choque no mercado de petróleo da história"
.
Um cessar-fogo temporário, mediado pelo Paquistão, entrou em vigor em 8 de abril, dando um breve alívio . Mas foi só no fim de maio que os preços, que passaram a maior parte da primavera acima de US$ 100, começaram a cair de forma mais consistente — uma baixa de cerca de 20% em relação ao pico, impulsionada por esperanças de um acordo mais duradouro
.
O colapso de US$ 126 para os níveis pré-guerra levou apenas dois meses. O ponto de virada foi um acordo preliminar anunciado em 14 e 15 de junho de 2026, intermediado pelo Paquistão. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif anunciou o marco, que foi confirmado por Washington e Teerã .
O memorando de entendimento incluía:
"O Acordo com a República Islâmica do Irã está completo agora", escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua rede social Truth Social .
A reação do mercado foi instantânea e sustentada.
Meados e fim de junho de 2026 — Navios-tanque que estavam parados no Golfo Pérsico há meses começaram a deixar o Estreito de Ormuz . A Agência Internacional de Energia estimou que apenas os Emirados Árabes Unidos estavam exportando petróleo a quase 85% dos níveis pré-guerra, vendendo cerca de 60 milhões de barris
. O fluxo de navegação se normalizou rapidamente
.
Três forças principais levaram o preço de volta aos níveis pré-guerra:
1. Restauração da oferta. A reabertura do Estreito de Ormuz reverteu diretamente o choque de oferta. A via navegável transportava cerca de 20 milhões de barris por dia entre petróleo bruto e derivados .
2. Alívio temporário de sanções. O acordo interino incluiu a suspensão temporária das sanções dos EUA, permitindo que o Irã aumentasse suas vendas de petróleo . O marco também previa a liberação de aproximadamente US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados
.
3. Fim do prêmio geopolítico. O marco do cessar-fogo formal sinalizou a desescalada do conflito, eliminando o "prêmio geopolítico" que, segundo analistas, manteve os preços elevados em US$ 10 ou mais por barril durante a guerra .
A velocidade do colapso dos preços pegou alguns analistas de surpresa. No fim de junho, tanto o J.P. Morgan quanto o Morgan Stanley revisaram fortemente para baixo suas perspectivas para o Brent.
J.P. Morgan (24 de junho de 2026) cortou suas projeções para o Brent, citando demanda mais fraca que a esperada e retiradas de estoques comerciais da OCDE menores que o previsto . Sua nova projeção:
Morgan Stanley (29 de junho de 2026) reduziu sua previsão para os 3º e 4º trimestres de 2026 para US$ 75/barril, citando a reabertura mais rápida que a esperada do Estreito de Ormuz. O banco também sinalizou um excedente maior esperado para 2027 .
Ambos os bancos enfatizaram que o "prêmio geopolítico" havia sido completamente removido dos preços e que o foco do mercado havia voltado para os fundamentos: demanda fraca, estoques elevados e um excedente de oferta no horizonte .
O acordo interino não foi um tratado de paz definitivo. Ele estabeleceu uma janela de negociação de 60 dias para resolver o destino do estoque nuclear iraniano, o regime completo de sanções e os ativos congelados . Uma assinatura formal foi marcada para Genebra em 19 de junho
.
No entanto, o caminho para uma paz duradoura já mostrava rachaduras. Um relatório da Reuters de 1º de julho de 2026 observou que as conversas técnicas em Doha terminaram "sem sinais de progresso" em direção a uma paz duradoura, e que os negociadores estavam, na prática, rediscutindo questões que o acordo interino deveria ter resolvido .
Os analistas esperavam que os preços do petróleo permanecessem em uma faixa entre US$ 70 e US$ 75 até que o resultado das negociações ficasse mais claro, com risco de nova volatilidade caso as conversas fracassassem .
Ao final do primeiro semestre de 2026, o petróleo havia apagado todos os seus ganhos de guerra. A queda de US$ 126 para US$ 73 foi uma reversão clássica de um choque geopolítico de oferta: um acordo diplomático reabriu um ponto de estrangulamento crítico, as sanções foram relaxadas e os navios-tanque voltaram a navegar.
Mas o cronômetro de 60 dias está correndo, e a parte mais difícil — negociar um acordo permanente sobre o programa nuclear do Irã — ainda está por vir. Se as negociações fracassarem, o risco de oferta retorna. Se forem bem-sucedidas, os analistas veem espaço para novas quedas, em direção a US$ 70 ou menos.