Segundo trimestre: entre abril e junho, o ouro oscilou em uma faixa ampla, de US$ 3.960 a US$ 4.850 por onça-troy . O conflito no Irã se prolongou além do esperado, enquanto o Fed, sob a nova presidência de Warsh, manteve os juros entre 3,50% e 3,75% . No fim de junho, o metal voltou a ficar abaixo de US$ 4.000, atingindo uma mínima anual próxima de US$ 3.979 .
Retrato do meio do ano: no fim de junho, o ouro acumulava queda de aproximadamente 7% em 2026 e se consolidava na região de US$ 4.000 a US$ 4.100. Mesmo assim, continuava entre os ativos de melhor desempenho nos 12 meses anteriores .
A influência de Kevin Warsh sobre o ouro foi rápida e significativa, principalmente porque os investidores passaram a recalcular suas expectativas para juros, inflação e liquidez em dólares.
A escolha de Warsh pelo presidente Donald Trump foi interpretada por parte do mercado como um sinal de maior preocupação com a inflação e de possível endurecimento monetário. A reação ficou conhecida pela Reuters como um “crash da desvalorização” nos metais preciosos .
A prata e a platina registraram suas maiores quedas diárias já observadas, enquanto o ouro à vista perdeu quase 5% em poucas horas. Algumas estimativas apontaram uma queda de 16% entre a máxima e a mínima antes de uma recuperação parcial .
Na primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto sob seu comando, em 17 de junho, Warsh manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, apesar de a inflação continuar acima da meta .
Em uma ruptura relevante com a prática anterior, o Fed retirou a orientação futura — o chamado forward guidance — e Warsh não apresentou sua projeção individual no dot plot, o gráfico que reúne as estimativas de juros dos dirigentes da instituição. Ele se tornou o primeiro presidente do Fed em 14 anos a não participar dessa ferramenta de projeção .
O ouro negociado no mercado financeiro caiu inicialmente cerca de 2% diante do tom mais duro, mas recuperou rapidamente a maior parte da perda .
Warsh enfatizou a estabilidade de preços e demonstrou abertura para pelo menos uma alta de juros até o fim do ano, o que tende a pressionar o ouro, um ativo que não paga juros . As expectativas de que o Fed possa ser obrigado a elevar ainda mais as taxas contribuíram para puxar o metal para baixo .
Ao mesmo tempo, o banco central americano iniciou uma revisão estratégica ampla, com potencial para alterar a forma como formula e comunica sua política monetária. Essa incerteza adicional pode favorecer o ouro no médio prazo, embora também aumente a volatilidade .
O índice DXY mede o desempenho do dólar americano contra uma cesta de seis moedas importantes. Em condições normais, ouro e dólar tendem a se mover em direções opostas: como o ouro é cotado em dólares, uma moeda americana mais forte costuma encarecer o metal para compradores de outros países e reduzir sua atratividade.
Essa regra, contudo, falhou diversas vezes no primeiro semestre de 2026.
A correlação negativa tradicional, frequentemente estimada em 60% a 70% entre o DXY e o ouro, enfraqueceu consideravelmente até junho. Em 25 de junho, o ouro caiu 2,65%, para US$ 3.979, enquanto o DXY não confirmou o movimento inverso normalmente esperado . Analistas descreveram o ambiente entre diferentes classes de ativos como um dos mais “desconectados” dos últimos tempos .
No dia seguinte, o DXY rompeu para baixo o nível de 97,50, e o ouro subiu 1,76%, para US$ 4.049 — um movimento clássico de alta do metal diante de um dólar mais fraco, mas que havia ficado ausente por várias semanas .
O conflito no Irã e os preços elevados do petróleo introduziram forças macroeconômicas concorrentes. Em alguns momentos, ouro e dólar subiram juntos por causa da busca por proteção; em outros, ambos caíram simultaneamente durante movimentos de liquidação e redução forçada de posições .
A conclusão é que a relação inversa de longo prazo continua existindo de forma geral, mas 2026 foi marcado por mudanças frequentes de regime. Isso torna mais difícil usar o dólar como único indicador para prever o ouro ou montar estratégias de proteção .
As projeções de fim de 2026 feitas por grandes bancos se concentram aproximadamente entre US$ 4.800 e US$ 6.300 por onça-troy. Uma pesquisa da Reuters com 31 analistas apontou mediana próxima de US$ 4.916, abaixo das previsões mais otimistas .
| Banco | Projeção para o fim de 2026 | Perspectiva para 2027 |
|---|---|---|
| J.P. Morgan | Cerca de US$ 6.000; US$ 6.300 é possível | Cerca de US$ 5.400 em média |
| Goldman Sachs | US$ 4.900, reduzida de US$ 5.400 | Faixa de US$ 5.000 a US$ 5.600 |
| Wells Fargo | US$ 6.100 a US$ 6.300 | — |
| UBS | US$ 5.500 | US$ 5.400 no fim do ano |
| Bank of America | US$ 6.000 | — |
| Commerzbank | US$ 4.800, reduzida de US$ 5.000 | US$ 5.200 |
| Deutsche Bank | US$ 4.450, projeção definida em novembro de 2025 | — |
As previsões institucionais mais tradicionais para 2027 ficam aproximadamente entre US$ 5.000 e US$ 5.600 por onça-troy. J.P. Morgan e UBS projetam cerca de US$ 5.400 no fim de 2027, enquanto o Goldman Sachs aparece na parte mais conservadora da faixa, perto de US$ 5.000 .
O Bank of America também apontou um cenário extremamente otimista em que o ouro poderia chegar a US$ 8.000 em 2027. A própria instituição, porém, atribui apenas 30% de probabilidade a esse cenário .
Os analistas destacam quatro variáveis capazes de alterar significativamente o caminho do ouro: o ritmo de eventuais cortes ou novas altas de juros pelo Fed, um possível cessar-fogo no conflito do Irã, a trajetória do dólar americano e a continuidade das compras por bancos centrais .
O ouro entra no segundo semestre de 2026 perto de US$ 4.000 a US$ 4.100 por onça-troy — muito abaixo do recorde de janeiro, mas ainda em níveis elevados em comparação com padrões históricos.
O tom mais duro do Fed de Kevin Warsh e a retirada da orientação futura aumentaram a incerteza sobre a política monetária americana. Ao mesmo tempo, a relação menos previsível entre o ouro e o dólar tornou as projeções ainda mais complexas.
Apesar da correção, a maioria dos grandes bancos espera uma recuperação do metal para a região de US$ 5.000 a US$ 6.000 até o fim de 2026. Para 2027, as projeções mais comuns se concentram entre US$ 5.000 e US$ 5.600 — sempre condicionadas ao comportamento dos juros, do dólar, da geopolítica e da demanda oficial.