Onda de calor histórica na Europa em 2025: prejuízo de €126 bilhões e novo desafio para a política do BCE
A onda de calor recorde de 2025 na Europa — agravada por secas, incêndios e enchentes que atingiram um quarto das regiões da UE — gerou €43 bilhões em perdas imediatas e deve acumular €126 bilhões até 2029, segundo es... A Rede para a Ecologização do Sistema Financeiro (NGFS), formada por bancos centrais, alertou qu...
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A onda de calor recorde de 2025 na Europa — agravada por secas, incêndios e enchentes que atingiram um quarto das regiões da UE — gerou €43 bilhões em perdas imediatas e deve acumular €126 bilhões até 2029, segundo es...
A Rede para a Ecologização do Sistema Financeiro (NGFS), formada por bancos centrais, alertou que eventos climáticos extremos consecutivos podem reduzir o PIB da zona do euro em até 5% em cinco anos — um tombo compará...
A Allianz Research estima que o calor extremo tirou 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB europeu em 2025.
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O verão de 2025 na Europa não foi apenas o mais quente já registrado — foi também um dos mais caros. Ondas de calor, secas e incêndios florestais que cobriram cerca de um quarto das regiões da União Europeia foram identificados por banqueiros centrais, reguladores financeiros e analistas independentes como uma ameaça concreta ao crescimento da zona do euro, à estabilidade dos preços dos alimentos e à eficácia da política monetária. Abaixo, um panorama das principais ameaças econômicas e seus impactos projetados, com base em dados do Banco Central Europeu (BCE), da Rede para a Ecologização do Sistema Financeiro (NGFS), da Allianz Research e de um estudo conjunto da Universidade de Mannheim e do BCE.
Perdas no PIB: um baque comparável a uma grande crise
O alerta mais contundente veio da NGFS, uma rede de bancos centrais e supervisores endossada pelo BCE. Em julho de 2025, a NGFS publicou cenários climáticos de curto prazo mostrando que uma série de eventos climáticos extremos poderia derrubar o PIB da zona do euro em até 5% nos próximos cinco anos — uma recessão “semelhante em magnitude ao impacto econômico da Crise Financeira Global”, segundo o blog do BCE que divulgou a análise . Livio Stracca, diretor-geral adjunto do BCE, descreveu esse como o cenário de “impacto adverso máximo”, um evento de cauda (tail risk), e não uma previsão básica .
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Perdas no PIB: um baque comparável a uma grande crise
O alerta mais contundente veio da NGFS, uma rede de bancos centrais e supervisores endossada pelo BCE. Em julho de 2025, a NGFS publicou cenários climáticos de curto prazo mostrando que uma série de eventos climáticos extremos poderia derrubar o PIB da zona do euro em até 5% nos próximos cinco anos — uma recessão “semelhante em magnitude ao impacto econômico da Crise Financeira Global”, segundo o blog do BCE que divulgou a análise . Livio Stracca, diretor-geral adjunto do BCE, descreveu esse como o cenário de “impacto adverso máximo”, um evento de cauda (tail risk), e não uma previsão básica .
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O que devo fazer a seguir na prática?
A Allianz Research estima que o calor extremo tirou 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB europeu em 2025.
Estimativas mais detalhadas vêm de um estudo conjunto da Dra. Sehrish Usman, da Universidade de Mannheim, e economistas do BCE. A pesquisa constatou que ondas de calor, secas e enchentes causaram €43 bilhões em perdas econômicas apenas em 2025 — o equivalente a 0,26% do valor agregado bruto da UE em 2024 . O estudo projeta que as perdas totais acumulem €126 bilhões até 2029, à medida que efeitos de segunda ordem — perda de produtividade, interrupção de cadeias de suprimentos e redução do turismo — se somam ao longo do tempo .
A Allianz Research ofereceu uma terceira estimativa, calculando que as ondas de calor podem ter tirado até 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB europeu em 2025, embora o impacto varie drasticamente entre os países: a Alemanha perdeu cerca de 0,1 ponto percentual, enquanto a Espanha — onde as temperaturas de verão ficaram cerca de 10°C acima do normal — sofreu um impacto de até 1,4 ponto percentual . Para efeito de comparação, um estudo de 2021 sobre os piores anos de calor na Europa (2003, 2010, 2015 e 2018) constatou que apenas a redução da produtividade do trabalho cortou o PIB em 0,3% a 0,5%, ultrapassando 1% nas regiões mais expostas do sul .
Impacto nos preços dos alimentos e na inflação: o canal da ‘climateflação’
O impacto da onda de calor sobre os preços dos alimentos foi imediato e mensurável. Uma análise do BCE publicada em maio de 2026 estimou que a onda de calor do verão de 2025 elevou os preços de alimentos não processados na área do euro em 0,4 a 0,7 ponto percentual ao longo de um ano . Uma análise separada, que examinou os efeitos mais amplos do calor, da seca e dos incêndios florestais, constatou que a inflação dos alimentos na zona do euro foi provavelmente impulsionada em cerca de 1 a 2 pontos percentuais, e alertou que as expectativas de inflação das famílias são “especialmente sensíveis” à inflação dos alimentos .
No campo, os danos agrícolas foram severos. Na França, temperaturas recordes danificaram as plantações de milho e causaram mortes em massa de aves. Em todo o sul da Europa, solos ressecados e rebanhos estressados comprimiram as cadeias de suprimentos — porcos perderam o apetite na Espanha, vacas produziram menos leite no Reino Unido . O Parlamento Europeu observou, em maio de 2025, que, embora a inflação de alimentos na UE tenha se estabilizado abaixo de 3%, a taxa anualizada já havia subido de 2% em janeiro para 3% em março, com os preços dos insumos agrícolas ainda 30% acima dos níveis de 2020 .
Preocupações macroeconômicas e de estabilidade financeira
Além dos números de PIB e inflação, a onda de calor de 2025 introduziu novas camadas de complexidade para os formuladores de políticas da zona do euro.
Volatilidade da inflação e complexidade das políticas. A presidente do BCE, Christine Lagarde, observou que eventos climáticos extremos aumentam a volatilidade da inflação, dificultando as previsões e as tomadas de decisão do banco central . O próprio blog de pesquisa do BCE, de julho de 2025, concluiu que a redução na produção regional causada por uma onda de calor não é apenas significativa (cerca de 1%), mas prolongada, intensificando-se para uma queda de 1,5% após dois anos .
Riscos de crescimento e inflação permanecem ‘grandes, mas equilibrados’. Olaf Sleijpen, presidente do banco central holandês, disse em dezembro de 2025 que as ameaças ao crescimento e à inflação na zona do euro são “relativamente equilibradas, mas ainda significativas”, exigindo que o BCE mantenha flexibilidade em suas decisões futuras .
Exposição à estabilidade financeira. A Revisão da Estabilidade Financeira do BCE de maio de 2025 sinalizou que a incerteza geopolítica e política havia disparado para níveis já elevados, com os choques climáticos se somando ao ambiente de risco para bancos e seguradoras .
Impactos regionais divergentes criam ‘estresse monetário induzido pela temperatura’. Pesquisas acadêmicas publicadas em 2024 constataram que as grandes diferenças na exposição ao calor entre os países do norte e do sul da zona do euro produzem divergências significativas na forma como as variáveis macroeconômicas respondem a anomalias de temperatura. Esse “estresse monetário induzido pela temperatura” torna mais difícil calibrar a política de juros único do BCE, e a pesquisa espera que essa divergência se agrave com o tempo .
Principais ressalvas
O cenário de 5% do PIB em risco da NGFS é uma projeção severa de risco de cauda, não uma previsão central. Ele pressupõe uma concatenação de eventos extremos em um período de cinco anos .
Os valores de €43 bilhões e €126 bilhões cobrem todos os eventos climáticos extremos (calor, seca, enchentes) de 2025, não apenas as ondas de calor .
Alguns analistas, incluindo o governador do Banco da França, Emmanuel Moulin, observaram que os efeitos econômicos de curto prazo das ondas de calor podem ser “um tanto ambíguos” — certos setores (por exemplo, turismo, equipamentos de refrigeração) podem se beneficiar —, enquanto os efeitos de médio prazo são “claramente” negativos para o crescimento .
Estimativas mais detalhadas vêm de um estudo conjunto da Dra. Sehrish Usman, da Universidade de Mannheim, e economistas do BCE. A pesquisa constatou que ondas de calor, secas e enchentes causaram €43 bilhões em perdas econômicas apenas em 2025 — o equivalente a 0,26% do valor agregado bruto da UE em 2024 . O estudo projeta que as perdas totais acumulem €126 bilhões até 2029, à medida que efeitos de segunda ordem — perda de produtividade, interrupção de cadeias de suprimentos e redução do turismo — se somam ao longo do tempo .
A Allianz Research ofereceu uma terceira estimativa, calculando que as ondas de calor podem ter tirado até 0,5 ponto percentual do crescimento do PIB europeu em 2025, embora o impacto varie drasticamente entre os países: a Alemanha perdeu cerca de 0,1 ponto percentual, enquanto a Espanha — onde as temperaturas de verão ficaram cerca de 10°C acima do normal — sofreu um impacto de até 1,4 ponto percentual . Para efeito de comparação, um estudo de 2021 sobre os piores anos de calor na Europa (2003, 2010, 2015 e 2018) constatou que apenas a redução da produtividade do trabalho cortou o PIB em 0,3% a 0,5%, ultrapassando 1% nas regiões mais expostas do sul .
Impacto nos preços dos alimentos e na inflação: o canal da ‘climateflação’
O impacto da onda de calor sobre os preços dos alimentos foi imediato e mensurável. Uma análise do BCE publicada em maio de 2026 estimou que a onda de calor do verão de 2025 elevou os preços de alimentos não processados na área do euro em 0,4 a 0,7 ponto percentual ao longo de um ano . Uma análise separada, que examinou os efeitos mais amplos do calor, da seca e dos incêndios florestais, constatou que a inflação dos alimentos na zona do euro foi provavelmente impulsionada em cerca de 1 a 2 pontos percentuais, e alertou que as expectativas de inflação das famílias são “especialmente sensíveis” à inflação dos alimentos .
No campo, os danos agrícolas foram severos. Na França, temperaturas recordes danificaram as plantações de milho e causaram mortes em massa de aves. Em todo o sul da Europa, solos ressecados e rebanhos estressados comprimiram as cadeias de suprimentos — porcos perderam o apetite na Espanha, vacas produziram menos leite no Reino Unido . O Parlamento Europeu observou, em maio de 2025, que, embora a inflação de alimentos na UE tenha se estabilizado abaixo de 3%, a taxa anualizada já havia subido de 2% em janeiro para 3% em março, com os preços dos insumos agrícolas ainda 30% acima dos níveis de 2020 .
Preocupações macroeconômicas e de estabilidade financeira
Além dos números de PIB e inflação, a onda de calor de 2025 introduziu novas camadas de complexidade para os formuladores de políticas da zona do euro.
Volatilidade da inflação e complexidade das políticas. A presidente do BCE, Christine Lagarde, observou que eventos climáticos extremos aumentam a volatilidade da inflação, dificultando as previsões e as tomadas de decisão do banco central . O próprio blog de pesquisa do BCE, de julho de 2025, concluiu que a redução na produção regional causada por uma onda de calor não é apenas significativa (cerca de 1%), mas prolongada, intensificando-se para uma queda de 1,5% após dois anos .
Riscos de crescimento e inflação permanecem ‘grandes, mas equilibrados’. Olaf Sleijpen, presidente do banco central holandês, disse em dezembro de 2025 que as ameaças ao crescimento e à inflação na zona do euro são “relativamente equilibradas, mas ainda significativas”, exigindo que o BCE mantenha flexibilidade em suas decisões futuras .
Exposição à estabilidade financeira. A Revisão da Estabilidade Financeira do BCE de maio de 2025 sinalizou que a incerteza geopolítica e política havia disparado para níveis já elevados, com os choques climáticos se somando ao ambiente de risco para bancos e seguradoras .
Impactos regionais divergentes criam ‘estresse monetário induzido pela temperatura’. Pesquisas acadêmicas publicadas em 2024 constataram que as grandes diferenças na exposição ao calor entre os países do norte e do sul da zona do euro produzem divergências significativas na forma como as variáveis macroeconômicas respondem a anomalias de temperatura. Esse “estresse monetário induzido pela temperatura” torna mais difícil calibrar a política de juros único do BCE, e a pesquisa espera que essa divergência se agrave com o tempo .
Principais ressalvas
O cenário de 5% do PIB em risco da NGFS é uma projeção severa de risco de cauda, não uma previsão central. Ele pressupõe uma concatenação de eventos extremos em um período de cinco anos .
Os valores de €43 bilhões e €126 bilhões cobrem todos os eventos climáticos extremos (calor, seca, enchentes) de 2025, não apenas as ondas de calor .
Alguns analistas, incluindo o governador do Banco da França, Emmanuel Moulin, observaram que os efeitos econômicos de curto prazo das ondas de calor podem ser “um tanto ambíguos” — certos setores (por exemplo, turismo, equipamentos de refrigeração) podem se beneficiar —, enquanto os efeitos de médio prazo são “claramente” negativos para o crescimento .