Khamenei nomeou vários incidentes e categorias específicas de ataques como fundamento para a acusação:
Cada um desses incidentes, argumentou ele, faz parte do que descreveu como "centenas ou mesmo milhares de casos legais significativos" que devem ser perseguidos sem demora .
Um elemento notável e juridicamente não convencional da diretiva de Khamenei é sua alegação de que os líderes americanos e israelenses "confessaram" os crimes. Ele argumentou que esses líderes se vangloriaram publicamente de suas operações militares contra o Irã e que essas declarações deveriam ser usadas como evidência em processos legais .
Especificamente, ele afirmou que "as confissões e até mesmo a vanglória descarada de alguns líderes do inimigo sionista-americano em relação a esses crimes são, indiscutivelmente, uma admissão de crime" . Isso efetivamente tenta transformar declarações públicas de sucesso militar em admissões legais de irregularidades — uma estratégia que enquadra a acusação como uma questão de processo legal direto, em vez de acusação contestada.
Para entender o significado da diretiva de Khamenei, é necessário entender o conflito ao qual ela se refere.
O Irã lutou uma guerra multifásica com os EUA e Israel. As principais hostilidades ocorreram em junho de 2025 (uma guerra de 12 dias) e novamente a partir de 28 de fevereiro de 2026, quando os EUA e Israel lançaram ataques aéreos coordenados visando instalações nucleares iranianas, infraestrutura militar e a alta liderança, incluindo o Líder Supremo Ali Khamenei . O conflito incluiu trocas de tiros diretas entre EUA e Irã e uma escalada regional mais ampla envolvendo operações israelenses no Líbano
.
Vários marcos do cessar-fogo foram alcançados:
O cessar-fogo continua altamente precário. Novas trocas militares ocorreram no início de junho de 2026 (drones iranianos interceptados pelos EUA) , e ambos os lados trocaram ataques no Golfo apenas um dia antes da declaração de Khamenei — em 27 de junho de 2026 — levantando temores de que o MoU seria desfeito
. Israel também complicou o acordo ao se recusar a se retirar do território ocupado no Líbano
.
A diretiva legal de Khamenei serve a vários propósitos estratégicos para o Irã:
Também segue declarações anteriores do chefe do judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, que em abril de 2026 pediu a busca de ações legais contra os EUA e Israel por crimes de guerra e a busca de compensação por meio de mecanismos internacionais . Isso sugere que a estratégia legal vem sendo desenvolvida há meses e não é meramente uma resposta a um único evento.
A diretiva de Khamenei de 28 de junho é um movimento cuidadosamente calibrado que serve a múltiplos objetivos estratégicos: consolidar sua autoridade doméstica como o novo Líder Supremo, manter a pressão legal internacional sobre os EUA e Israel e criar uma moeda de troca para as críticas negociações de 60 dias que se avizinham. Resta saber se algum desses casos realmente avançará nos tribunais internacionais, mas a diretiva em si sinaliza que a campanha legal do Irã pretende ser uma característica persistente do cenário pós-cessar-fogo, e não um título temporário.