Houve forte reação dos Estados-membros. A Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte (ENTSO-E) alertou que transferir funções do nível nacional para o europeu 'aumentará a incerteza nos resultados das decisões' e não resolverá as barreiras para a implementação oportuna de infraestrutura . O texto de compromisso acabou dando maior controle às capitais nacionais, refletindo fortes preocupações com a soberania.
O elemento mais polêmico foi a proposta da Comissão de exigir que os operadores de redes de transporte (TSOs) destinassem 25% da receita de congestionamento – receita de gargalos em linhas de energia transfronteiriças – para investimentos em redes que atravessam fronteiras . A proposta enfrentou 'reações crescentes' e 'resistência crescente' de vários Estados-membros e operadores de rede, que alertaram que isso poderia enfraquecer o controle nacional sobre as redes
. A Suécia alertou explicitamente que o plano poderia limitar suas exportações de energia, levando a uma redução do escopo da iniciativa
. Um documento do Conselho de maio de 2026 mostrou que alguns Estados-membros estavam 'preocupados' que o texto revisado, que restringia os 25% apenas aos países onde os projetos PCI estão localizados, 'dilui consideravelmente o espírito da proposta inicial'
.
O compromisso: No texto dos Estados-membros, a exigência de destinar as receitas de congestionamento expiraria após 8 anos . Os ministros adotaram uma 'abordagem mais cautelosa' do que a originalmente proposta pela Comissão, enfraquecendo significativamente o mecanismo de financiamento transfronteiriço
. Um questionário da Presidência do Conselho de maio de 2026 já havia sinalizado a sensibilidade ao perguntar: 'Até que ponto os Estados-Membros estão preparados para evoluir seus quadros financeiros e de planejamento – incluindo o uso de receitas de congestionamento e partilha de custos mais ampla?'
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As preocupações com a soberania nacional foram a força motriz por trás da resistência. Vários Estados-membros se opuseram a dar à Comissão Europeia autoridade sobre o planejamento nacional das redes e a alocação de receitas de congestionamento coletadas dentro de suas fronteiras . A ameaça da Suécia de limitar as exportações de energia exemplificou as tensões: países com excedente de capacidade renovável temiam que o pooling de receitas em nível de UE efetivamente transferisse riqueza dos consumidores e operadores de rede domésticos para outros Estados-membros sem benefício nacional equivalente
.
A Climate Action Network (CAN) Europe, representando mais de 200 organizações membros, enviou uma carta aos ministros antes do Conselho de Energia de 26 de junho, exortando-os a não enfraquecerem o pacote . Suas demandas eram construir um cenário comum de infraestrutura transfronteiriça liderado pela Comissão Europeia, aproveitar as receitas ociosas de congestionamento para o desenvolvimento da rede e se comprometer a eliminar gradualmente a infraestrutura de combustíveis fósseis.
A CAN Europe descreveu anteriormente o pacote como 'um passo muito necessário para acelerar a transição da Europa para uma rede totalmente renovável e resiliente', mas alertou que a aceleração 'deve andar de mãos dadas com uma proteção ambiental robusta' . O European Environmental Bureau (EEB) também enviou recomendações, instando os ministros a manter o pacote ambicioso
.
O pacote de redes foi formulado em meio a pressões agudas:
À margem do Conselho, foi assinado o primeiro acordo tripartite da UE sobre armazenamento de energia, por representantes de autoridades públicas, do setor de armazenamento e de consumidores industriais de energia .
A abordagem geral acordada pelo Conselho abre caminho para negociações de trílogo com o Parlamento Europeu ainda em 2026. As principais linhas de batalha – planejamento centralizado vs. nacional e financiamento transfronteiriço – estão agora traçadas, e o Parlamento pode tentar restaurar parte da ambição original da Comissão.
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