2. Demanda chinesa fraca
Compradores chineses até entraram para "comprar na baixa", mas o cenário macro mais amplo — medos de desaceleração do crescimento, agravados pelo conflito com o Irã — pesou sobre as expectativas de demanda do maior consumidor mundial de cobre . O J.P. Morgan projeta que o cobre pode cair para US$ 11.100–11.200/t em cenários mais pessimistas
.
3. O peso geopolítico
O conflito EUA-Irã e a incerteza sobre um acordo de paz adicionaram uma camada de risco de destruição de demanda, com investidores preocupados com efeitos recessivos . A guerra no Irã também interrompeu o fornecimento global de enxofre, um insumo-chave para a produção de cobre
.
4. Incerteza tarifária pesando no sentimento
O prêmio do cobre na CME (bolsa de futuros americana) que se acumulou em 2025 com a expectativa de tarifas de importação dos EUA sobre o cobre refinado já havia diminuído no início de 2026, à medida que o mercado reavaliava a probabilidade e o momento dessas tarifas . Essa incerteza dificulta que os traders precifiquem o risco com precisão.
Tarifa atual de 50% (Seção 232)
Desde 6 de abril de 2026, uma tarifa de 50% por segurança nacional incide sobre cobre refinado, cátodos de cobre e derivados . Uma nova proclamação em 1º de junho de 2026 ajustou regras antes da revisão pendente
.
O ponto de inflexão
30 de junho de 2026 é a data em que o secretário de Comércio dos EUA deve entregar uma avaliação do mercado e uma recomendação tarifária ao presidente Trump . Espera-se que a revisão proponha um aumento gradual da tarifa sobre cátodos de cobre refinado — começando com 15% em 1º de janeiro de 2027 e subindo para 30% até janeiro de 2028
. Este é o catalisador de curto prazo mais importante para o mercado de cobre
.
Por que isso importa
O cobre refinado foi deliberadamente excluído da ação tarifária inicial de julho de 2025 . Esta revisão decide se e como incluí-lo. O resultado pode remodelar significativamente os fluxos de importação dos EUA, os diferenciais globais de preço do cobre e o prêmio entre os preços da CME e da LME.
Apesar da queda do preço, o quadro de oferta subjacente continua apertado. As interrupções reais na oferta de minas e a demanda impulsionada por IA e data centers continuam a fornecer um piso — o cobre ainda estava mais de 40% acima do nível de um ano atrás em meados de junho . No entanto, os medos macro estão atualmente sobrepujando esses fundamentos
.
O prêmio da CME sobre os preços da LME diminuiu à medida que o mercado reavalia as chances de tarifas de importação dos EUA, com a justificativa para a dependência de importação parecendo menos convincente agora que os EUA possuem estoques substanciais .
Fábrica em Houston perto da capacidade total
A Zhejiang Hailiang, uma grande fabricante chinesa de cobre, opera uma unidade de tubos e barras de cobre em Houston que está agora se aproximando da capacidade máxima de produção . A empresa começou as operações lá em 2020 com capacidade de 30 mil t/ano e planeja triplicar para 100 mil t até 2025
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Expansão em Sealy, Texas
Uma unidade separada de US$ 150 milhões em Sealy, Texas (80 km a oeste de Houston) — registrada como Hailiang Copper Texas Inc. — está na Fase 2 de expansão, adicionando mais linhas de produção de cobre . Quando concluído, o complexo industrial de 44 mil m² terá capacidade de produção projetada de 100 mil toneladas por ano
.
A estratégia
Ao produzir dentro dos EUA, a Hailiang evita completamente a tarifa de 50% da Seção 232, garantindo preços premium e consolidando participação de mercado contra exportadores chineses e concorrentes domésticos . Sua estratégia faz parte de uma presença global que vai da Indonésia ao Marrocos, projetada para contornar barreiras comerciais
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Conclusão
A Hailiang é uma beneficiária inesperada da política tarifária dos EUA: as barreiras que prejudicam as importações chinesas, na verdade, fortalecem a posição competitiva da capacidade de produção de propriedade chinesa instalada nos EUA .
O mercado de cobre está dividido entre restrições de oferta altistas (interrupções em minas, demanda por IA e redes elétricas) e ventos contrários macro baixistas (dólar forte, aperto do Fed, desaceleração chinesa, incerteza tarifária). A revisão do Departamento de Comércio em 30 de junho é o próximo evento pivotal — uma recomendação para implementar tarifas sobre o cobre refinado pode reorganizar os fluxos comerciais globais e ampliar novamente o spread entre CME e LME. Movimentos corporativos como a localização da Hailiang nos EUA ilustram que as barreiras tarifárias estão acelerando a internalização da produção por produtores estrangeiros, em vez de simplesmente reduzir as importações.
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